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Análise: DI em queda apressa consenso pré-Copom

SÃO PAULO - Os analistas irão nesta primeira semana de dezembro fechar o consenso para a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para a semana que vem. A maioria das apostas é de manutenção da Selic em 13,75%, mas não há consenso absoluto.

Valor Online |

As pesadas quedas sofridas na sexta-feira pelos juros futuros negociados na BM & F demonstram que há espaço para o crescimento da ala de especialistas que já vê a possibilidade de o Copom iniciar imediatamente um ciclo de corte da taxa básica. Os mais recentes índices de inflação revelaram algo inusitado na história brasileira de crises inflacionárias, desencadeadas por movimentos de depreciação cambial decorrentes de fuga de capital externo: a queda das commodities e o desaquecimento do consumo têm sido mais decisivos para segurar a inflação do que a desvalorização cambial para estimulá-la.

A prioridade da Fazenda e do BC para tentar suavizar o impacto da recessão global sobre a economia brasileira é restabelecer o fluxo de dinheiro pelos canais do crédito. Será contraditório desobstruir esses canais por meio de medidas administrativas coercitivas e, ao mesmo tempo, manter o juro alto. E como uma decisão de política monetária leva de seis a nove meses para chegar até o consumidor final e fazer efeito sobre a inflação, o canal monetário já está bem atrasado em relação ao da liquidez. Não será mais possível evitar a desaceleração do crescimento econômico mesmo na hipótese de uma redução drástica dos juros. Mesmo sem o exercício pelo Copom da arte de manejar os juros antes de confirmada a tendência correta pelos indicadores efetivos, já dá para antever a diminuição da atividade.

Para Maristella Ansanelli, economista-chefe do Banco Fibra, apesar da precariedade de dados, dá para estimar uma redução no ritmo de crescimento do PIB do 1,3% do terceiro trimestre para 0,5% no último trimestre. " Neste cenário, encerraríamos 2008 com crescimento médio de 5,4% " , prevê ela. Para 2009, a economista espera uma desaceleração mais significativa, dado que os impactos mais severos da crise sobre a economia local devem ser sentidos a partir do primeiro trimestre do ano que vem, quando há grandes chances de se registrar uma variação negativa do PIB trimestral. Para 2009 como um todo, contando com alguma recuperação ao longo do ano, Maristella estima uma taxa de crescimento do PIB de 3%.

Trata-se, no caso brasileiro, de um quadro de desaquecimento econômico com alguma inflação, bem diferente do ciclo deflacionista temido para os EUA, Europa e Japão. Se os países desenvolvidos ingressarem em tal ciclo perverso a eficácia das políticas monetárias será muito limitada. Não adianta reduzir juro a zero nesses momentos de forte recessão e queda de preços. Será necessário acionar o gasto público. Nos países emergentes de ponta - China, Índia e Brasil -, o cenário mostra-se por enquanto diverso, mas a longo prazo mesmo ele dependerá da profundidade do buraco que o ciclo deflacionista for cavando nos EUA e na Europa. Diante de um ciclo desses, será pueril e paranóico demais temer-se a inflação no Brasil.

A ficha parece estar caindo mesmo para os " comprados " em taxa no mercado futuro de juros da BM & F. Na sexta-feira, o contrato para janeiro de 2010 tombou de 14,60% para 14,46%, enquanto o CDI para janeiro de 2011 cedeu de 15,31% para 15,20% e o previsto para janeiro de 2012 recuou de 15,54% para 15,39%. Se o raciocínio que vigora no mercado doméstico é o de que o Brasil será contaminado pela recessão global, será ridículo imaginar que não o seja do ponto de vista da deflação mundial. Apesar disso, até quinta-feira passada, a curva a termo do DI ainda embutia a possibilidade de o Copom subir a Selic em reuniões vindouras.

Semana tem agenda cheia e importante - Esta primeira semana de dezembro tem agenda cheia de indicadores e eventos importantes. No Brasil, os destaques são os dados sobre atividade industrial e vendas de veículos e a divulgação, na sexta-feira, pelo IBGE, do índice oficial de inflação referente a novembro. Pela mediana das expectativas do boletim Focus, o IPCA deverá subiu de 0,45% em outubro para 0,52% em novembro. Na Europa, serão tomadas decisões de política monetária pelo Banco da Inglaterra (expectativa de que reduza a taxa de 3% para 2,5%) e pelo BCE (queda de 3,25% para 2,75%). E, nos EUA, será publicado o Livro Bege do Federal Reserve e divulgado o relatório de emprego (payroll).

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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