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Análise: DI abre chance de corte de 0,75 ponto

SÃO PAULO - Após a pausa técnica da véspera, os juros retomaram ontem o veloz movimento de queda descrito no mercado futuro da BM & F. A taxa do swap de 360 dias caiu de 12,06% para 11,83%.

Valor Online |

O CDI previsto para a virada do ano recuou de 12,06% para 11,87%. A curva futura dos juros já descarta a possibilidade de o Copom cumprir a sinalização dada em sua última ata, de corte de 0,25 ponto em sintonia com o que foi discutido na reunião pela maioria dos membros do Comitê. Os contratos mais curtos já " precificam " elevada chance (perto de 65%) de o primeiro corte da Selic nesse início de ciclo de relaxamento monetário ser de 0,50 ponto. Se houver alguma " surpresa " por parte do Comitê será no sentido de reduzir o juro em 0,75 ponto. Esta é a chance para cerca de 35% das apostas.

Embora os juros futuros tenham caído expressivamente desde o último Copom - a taxa para janeiro de 2010 estava em 13,14% no dia 9 de dezembro e fechou ontem em 11,87% - os investidores " comprados " em taxa sofreriam pesadas perdas se o BC aceitasse a sugestão do presidente interino da Febraban, Márcio Cypriano, e convocasse reunião extraordinária do Copom para cortar a Selic imediatamente. Pela precificação atual, só não aconteceriam perdas se a queda fosse de 0,25 ponto agora e mais 0,25 no dia 21, data da reunião ordinária. Mas se é para manter a curva do jeito que está, uma reunião extra-oficial seria apenas pirotecnia para ocupação de espaço na mídia. O Copom não gosta de fazer nada que não esteja plenamente precificado para não ser acusado de favorecimentos (mesmo que obviamente involuntários) a uma das pontas em combate no DI futuro.

Não é nada contraditório o pleito do presidente em exercício da Febraban por Selic menor. O economista Marco Aurélio Garcia, diretor da Mag Consultoria, diz que a baixa da Selic reduz o custo e os riscos dos bancos, além de aumentar as atividades e facilitar empréstimos. Os bancos fazem suas captações em CDI, a maior parte de longo prazo. Recorde-se que recente debênture de 36 meses da Bradespar pagava 125% do CDI. O passivo maior dos bancos está em CDI. Já aplicações das tesourarias são feitas em qualquer título público, o que estiver prometendo mais no momento. Em tese, são aplicadas apenas as sobras de caixa. O que for captado via CDI vai para o crédito. É aqui que entra o " spread " , cuja queda foi reivindicada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, em contraponto ao pleito de Cypriano. A cobrança é legítima. O BC reduziu compulsórios e injetou mais de R$ 100 bilhões para aliviar o custo de captação e ajudar na derrubada do " spread " . Mas este subiu. A conclusão é que, para os bancos, como para as empresas em geral, não basta dar liquidez, tem de cortar o juro básico.

Mesmo que remota, a possibilidade de um Copom extraordinário antes do dia 21 ajudou a empurrar os juros futuros para baixo ao estimular o fechamento de operações destinadas a fornecer proteção contra quedas abruptas da Selic. Mas o principal fator a estimular o declínio foram mesmo os dados sobre a produção de veículos. De acordo com a Anfavea, em dezembro as montadoras produziram 102.053 veículos, número que representa uma queda de 54,1% em relação a dezembro de 2007 e de 47,1% sobre o novembro de 2008. Apesar de as vendas de veículos terem crescido 9,4% no mês passado - refletindo as medidas baixadas pelo governo para estimular o consumidor, sob a forma de reduções de IPI e IOF -, o dado que o mercado olha efetivamente é o de produção, uma vez que ele afeta o conjunto da indústria. Os dados relativos a veículos anulam a expectativa de recuperação da indústria como um todo após o encolhimento de 8% registrado no acumulado de outubro e novembro. Ou seja, a atividade industrial deve ter caído mais ainda no mês passado, com implicações negativas sobre o PIB do quarto trimestre do ano.

O mercado futuro de juros da BM & F deve receber hoje novo incentivo à queda do juro. Desta vez, sob a forma de um tranquilizador índice oficial de inflação. O IBGE divulga hoje cedo o o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro. E o mercado espera algo entre 0,25% e 0,30%. Com isso, o IPCA acumulará no ano passado variação abaixo de 6%. Será uma tremenda vitória pelo fato de situar-se abaixo do teto de 6,5% da banda de flutuação do sistema de metas de inflação. Para todos os efeitos legais, a meta de 2008 foi cumprida. Isso dispensará o BC do embaraçoso pedido formal de desculpas ao ministro da Fazenda pelo não cumprimento da meta. Os espíritos ultraconservadores estarão mais desarmados.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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