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Análise: Dados surpreendem e animam mercados

SÃO PAULO - Os mercados brasileiros mostraram ontem comportamento mais positivo do que seria necessário para apenas acompanhar a distensão pré-Ação de Graças nos EUA. Depois do salvamento do Citi, do novo megasocorro de US$ 800 bilhões anunciado pelo Federal Reserve (Fed) e da confiança despertada pelos nomes da equipe econômica de Obama, Wall Street já se entregou à trégua desenhada pelo feriadão.

Valor Online |

Os indicadores americanos divulgados ontem, apesar de sugerirem a possibilidade de uma recessão mais prolongada, não conseguiram azedar o bom humor devido à nova redução do juro básico chinês e do pacote europeu de 200 bilhões de euros. E o índice Dow Jones fechou em valorização de 2,91%.

Ao contrário dos dados sobre a economia americana, os divulgados ontem sobre o Brasil surpreenderam positivamente, transmitindo a sensação de que, por enquanto, os efeitos da crise externa têm sido menos severos do que os esperados. Por isso, a Bovespa disparou 4,76%, o dólar caiu 2,06%, cotado a R$ 2,2750, e a curva futura de juros suavizou sua inclinação positiva, com os contratos longos registrando quedas mais acentuadas que os curtos.

As contas públicas relativas a outubro (o pior mês da crise financeira desencadeada 13 meses antes) exibiram inédito superávit nominal. Pagos os juros da dívida interna, ainda sobraram R$ 5,22 bilhões. Mesmo o déficit em doze meses acumulado até o mês passado, de R$ 31,09 bilhões, equivale a apenas 1,1% do PIB, o melhor resultado desde que o BC começou, em 1991, a elaborar esses cálculos. A desvalorização do real provocada pela crise reduz a dívida liquida como proporção do PIB a níveis historicamente baixos, ao redor de 36%.

Apesar de ter feito operações de venda de dólares entre 19 de setembro e 21 de novembro no valor de US$ 48,5 bilhões, o Banco Central viu as reservas internacionais crescerem US$ 700 milhões no período, para US$ 205,7 bilhões. Isso porque a maior rentabilidade dos títulos em carteira neutralizou a venda direta ao mercado, de US$ 6,3 bilhões. E a balança cambial dos primeiros 15 dias úteis de novembro exibe uma espetacular recuperação comparativamente ao déficit de US$ 4,64 bilhões de outubro. Este mês o superávit comercial consegue cobrir todo o rombo causado pela fuga de capital e ainda gerar um saldo de US$ 3,73 bilhões.

E os reflexos da crise sobre o lado real da economia? Por enquanto, ela não bateu no emprego. A taxa de desemprego caiu de 14,1% em setembro para 13,4% em outubro em seis regiões metropolitanas, a menor taxa para o mês de outubro desde 1998. E não desencadeia, como em crises semelhantes do passado, descontrole inflacionário. Divulgado ontem pelo IBGE, o IPCA-15 acelerou-se de 0,30% em outubro para 0,49% em novembro, suavemente e dentro do esperado.

A percepção de que os impactos da crise sobre contas públicas, atividade e inflação são mais brandos do que os previstos reforça a aposta consensual do mercado de que o Copom não iniciará o movimento de queda da taxa Selic já na próxima reunião, a última do ano, marcada para o dia 10 de dezembro. Não terá, por vocação e precisão, pressa em descongelar a Selic do atual patamar de 13,75%.

Foi por esta razão que o CDI previsto para a virada do ano pelo pregão de juros futuros da BM & F permaneceu estável em 13,61%, enquanto os contratos mais longos recuaram expressivamente. A taxa para janeiro de 2010 caiu 0,10 ponto, para 14,57%. O CDI projetado para janeiro de 2011 cedeu de 15,40% para 15,29%. O swap de 360 dias caiu de 14,57% para 14,47%. No mercado de câmbio, o BC fez ontem o quarto leilão de swaps cambiais destinados a rolar os títulos que irão vencer em dezembro. Vendeu ontem o equivalente a 74% da oferta de 21 mil contratos. Nos quatro leilões, colocou o equivalente a US$ 4,96 bilhões.

Os EUA concentraram a divulgação de indicadores antes do feriado de hoje do Dia de Ação de Graças, já que amanhã o expediente será pela metade. E os dados não vieram nada positivos. Os pedidos de bens duráveis sofreram queda de 6,2% em outubro, mais do que o previsto pelos economistas. Os analistas também erraram em suas estimativas para a redução do gasto dos consumidores americanos no mês passado. Esperavam baixa de 0,7%, mas houve recuo de 1%. Decepção também com o índice da Universidade de Michigan que afere o grau de confiança do consumidor. Depois de situar-se em 57,6 em outubro, o índice caiu a 55,3 este mês. E as vendas de novas casas caíram 5,3% no mês passado, para uma taxa anual ajustada sazonalmente de 433 mil unidades, o menor nível em 17 anos.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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