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Análise da crise divide o governo

Os sinais inequívocos de que a produção industrial desabou no fim do ano passado reforçam análises de técnicos do governo de que, dificilmente, o país escapará de uma recessão técnica no fim do primeiro trimestre de 2009, caracterizada pela queda da produção por dois trimestres seguidos. Essa avaliação ganha força quando se observa que a queda de 12,4% em dezembro ante novembro do ano passado foi disseminada na indústria, o que indicaria uma lenta capacidade de recuperação.

Agência Estado |

A tese da "recessão técnica", porém, não constitui, pelo menos por ora, um consenso no governo. Os que sustentam que o primeiro trimestre não repetirá a queda esperada nos últimos três meses de 2008 chamam a atenção para o processo de venda de estoques das indústrias. Numa reação ao agravamento da crise, os empresários teriam optado por desovar os estoques e assim devem ser traduzidos os dados divulgados pelo IBGE, na avaliação de um economista da equipe econômica.

O fato, no entanto, é que ninguém no governo é capaz de afirmar que o processo de venda dos estoques da indústria tenha se encerrado, o que jogaria o problema para janeiro e, possivelmente, fevereiro. A percepção desse economista é a de que existem timings diferentes para os mais diversos setores. O mais provável é que há indústrias que retomariam a produção no fim do primeiro trimestre. Essa é a aposta do governo. Ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com discurso mais sintonizado com os efeitos da crise sobre a economia, falou em retração para 2009 e em um primeiro trimestre "difícil". "Mas depois vai melhorar."

A expectativa de Lula é que o setor privado responda aos estímulos do governo à retomada da atividade econômica. Mesmo assim, o discurso para levantar o otimismo não coloca as previsões pessimistas em segundo plano. Ou seja, o País não entrará em recessão, mas tampouco terá o expressivo crescimento de 4%, que no fim do ano passado embalava as projeções da equipe econômica. A possibilidade de a economia crescer entre 1% e 2% já é considerada uma hipótese otimista.

Lula quer um resultado. "Nos bastidores, a palavra de ordem é trabalhar em estado de guerra", disse um assessor. "Não estamos vivendo um momento de normalidade, e o governo tem que agir", insistiu, ao se referir às medidas de estímulo com as quais Lula acredita que poderá convencer o setor privado a retomar a produção.

Para o presidente, desde setembro, quando a crise atingiu a fase mais aguda, a ação do governo foi para socorrer instituições financeiras e garantir crédito ao sistema financeiro. Agora, o foco está na produção. Por isso, o reforço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estimado em R$ 120 bilhões, os recursos extras para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que teve o orçamento reforçado em R$ 100 bilhões, e o plano estratégico da Petrobrás, que prevê investimento de US$ 174,4 bilhões até 2013. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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