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Análise: ´Curva´ enlouquece e chama BC para briga

SÃO PAULO - Os juros futuros dispararam de novo ontem no pregão da BM & F. Foi a sexta alta consecutiva. Vale dizer, desde o último dia 25 - dia em que o IPCA-15 surpreendeu pela ferocidade da arrancada de 0,90% e o Relatório de Inflação do Banco Central pela mansidão autoconfiante dos seus diagnósticos -, o DI futuro não pára de subir. Nesses seis pregões, o CDI previsto para janeiro de 2010 (freqüentemente, o mais negociado) saltou de 14,75% para 15,34%. De duas, uma: ou o BC está exageradamente atrás da curva ou a curva está completamente louca. Se a resposta mais óbvia se encaminha facilmente para a primeira opção, não dá para descartar a segunda. Afinal, com as altas de ontem, a curva passa a projetar a perspectiva de altas lineares da Selic de 0,75 ponto por reunião do Copom. Como faltam quatro reuniões até o fim do ano, o juro básico fecharia 2008, pela curva , em 15,25%. Trata-se de taxa um ponto acima da expectativa mediana de cem instituições pesquisadas pelo Focus. A curva está evidentemente distorcida pela montagem de operações destinadas a evitar perdas decorrentes do cenário externo muito delicado e instável. E pela retração dos players dispostos a assumir a ponta prefixada. Tanto que o giro de negócios de ontem foi ridículo, de apenas 377 mil. Ou seja, a curva pode ter perdido a faculdade de antecipar os movimentos de política monetária do Copom.

Valor Online |

Os movimentos de alta do DI estão exacerbados. Ontem, a taxa para o final do ano subiu de 13,36% para 13,43%. O swap de um ano avançou de 14,52% para 14,62%. A taxa longa, para janeiro de 2011, saltou de 15,41% para 15,54%. Em pânico com a disparada sem freio do petróleo (o barril fechou ontem em novo recorde a US$ 143,57, alta de US$ 2,60), operadores mais exaltados acusam o BC de ter perdido a mão monetária. Exigem sinais de que as atuações futuras serão drásticas. Na verdade, como é o juro privado o alvo do BC, se este está em alta capaz de esfriar a demanda, o Copom não precisa ter muita pressa em sancionar a paranóia geral. Quanto mais crescer a acusação de leniência dirigida ao BC, mais inclinada positivamente estará a curva e menos ele precisará agir. Desde que sinalizou no Relatório de Inflação sua intenção de manter a velocidade de alta da Selic em 0,50 ponto, o juro básico privado subiu de 14,20% para 14,62%. O trabalho monetário contra inflação, mesmo que mais por omissão do que por ação, já está sendo feito.

Os analistas não acreditam que o DI irá descontinuar a ascensão hoje. Esta quinta-feira praticamente irá encerrar a semana. Já hoje à tarde o movimento diminuirá muito porque amanhã é o 4 de Julho da Independência americana. E hoje o Banco Central Europeu (BCE) irá subir a taxa básica da zona do euro de 4% para pelo menos 4,25%. Não se pode desprezar a possibilidade de um avanço para 4,50%. Divulgado ontem, o PPI (atacado) europeu subiu de 0,9% em maio para 1,2% em junho, acumulando em 12 meses 7,1%. O CPI não veio menos assustador. Divulgado dia 16, exibiu alta de 0,6% em maio e de 3,7% em doze meses. A decisão do BCE fortalecerá o euro, debilitará ainda mais o dólar e, por conseguinte, dará mais gás ao petróleo. E sai hoje nos EUA o payroll, o relatório oficial de emprego de junho. Se ele confirmar a surpresa dada ontem pela pesquisa privada ADP, que mostrou corte de 79 mil vagas de trabalho (a maior dispensa em seis anos), quando se esperava extinção de 20 mil postos, o dólar receberá mais um estímulo de baixa e o petróleo, de alta.

O mercado de câmbio tentou acompanhar ontem a derrocada internacional do dólar mas foi contido por duas notícias domésticas. A moeda chegou a cair 0,75%, cotada a R$ 1,5930, mas fechou a R$ 1,6030, em desvalorização menos acentuada, de 0,12%. Entre o piso e o fechamento, surgiram duas informações. A primeira foi o resultado da balança cambial de junho, mostrando déficit de US$ 877 milhões. As saídas líquidas de capital financeiro (de US$ 5,58 bilhões) foram maiores que as entradas líquidas comerciais (de US$ 4,7 bilhões). E, sozinho, o superávit da balança comercial não consegue sustentar uma apreciação cambial. Aos poucos, os bancos reduzem suas posições compradas à vista. Fecharam junho em US$ 7,34 bilhões, de US$ 9,84 bilhões no final de maio e US$ 12,59 bilhões em abril. A segunda foi a informação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que parte dos R$ 14 bilhões que formarão as reservas iniciais do Fundo Soberano do Brasil poderá ser destinada à compra de dólares, sob coordenação do BC, quando o mercado à vista estiver sobreofertado de moeda americana.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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