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Análise: ´Crise dos mísseis´ assombra pregões

SÃO PAULO - O dia em que o mundo esteve à beira da Terceira Guerra Mundial, há 46 anos, no episódio que ficou historicamente conhecido como a crise dos mísseis - envolvendo a instalação de bases nucleares soviéticas em Cuba - , voltou a assombrar os mercados ontem. A tensão gerada entre EUA e Rússia ontem pela intenção americana de instalar mísseis na Polônia lembrou a crise de outubro de 1962 e fez disparar o preço do petróleo. O barril subiu ontem 5,01%, cotado a US$ 121,18 na Nymex. A arrancada do petróleo, a queda do dólar e a nova versão invertida da crise dos mísseis afetaram o comportamento de todos os segmentos do mercado.

Valor Online |

A aliança entre os EUA e a Polônia foi assinada em Varsóvia pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e pelo ministro das Relações Exteriores polonês, Radek Sikorski. E prevê a instalação de um escudo de defesa antimísseis americano em território polonês. Pela parceria, a Polônia concorda em abrigar dez mísseis interceptadores em uma antiga base militar perto da costa do mar Báltico. Os americanos se comprometem, em troca, a ajudar os poloneses a melhorar suas forças armadas, além de remanejar para o país mísseis tipo Patriot e militares americanos, com o objetivo de reforçar as defesas aéreas do país. A reação russa veio ontem, clássica, previsível mas, mesmo assim, assustadora. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu nota informando que o governo russo será obrigado a reagir, e não apenas com medidas diplomáticas ao acordo. A parceria irá gerar, segundo a nota, uma nova corrida armamentista na Europa .

Já estremecidas pela posição americana em relação à Geórgia, a deterioração das relações entre EUA e Rússia ajudou a promover nova rodada de desvalorização do dólar frente ao euro. Este foi cotado a US$ 1,4888, ante US$ 1,4687 na véspera. Com isso, cotadas em dólar, as commodities aumentaram de preço. Isso é bom para os países emergentes desde que EUA e Rússia não passem da retórica ríspida para a ressurreição da era do terror nuclear de 40 anos atrás. Os indicadores financeiros divulgados ontem nos EUA não autorizam, de qualquer forma, um movimento mais consistente de fortalecimento do dólar. Se a economia americana não está afundando mais, encontra dificuldade em sair do fundo do poço.

O Conference Board, instituto privado de pesquisa, informou que o índice que aglutina o desempenho dos principais indicadores amargou uma queda maior do que a esperada em julho: recuou 0,7%, quando os analistas esperavam baixa de 0,2%. Trata-se da maior queda desde agosto do ano passado, quando o índice cedeu 1%. De sua parte, o índice de atividade manufatureira da região do Fed da Filadélfia, está menos ruim que a taxa de -16,3 de julho. Ainda muito negativo, encerrou agosto em -12,7 pontos. O terceiro indicador do dia foi referente ao mercado de trabalho. Segundo o Departamento do Trabalho, o número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuou em 13 mil na semana encerrada no dia 16, somando 432 mil solicitações iniciais do benefício.

A valorização do petróleo e das commodities em geral - o índice CRB, que acompanha as 19 mais expressivas commodities, subiu ontem 3,73%, suavizando a queda acumulada no mês para 2,52% -, ao sinalizar uma piora de médio e longo prazo no processo inflacionário brasileiro, ajudou a reforçar a alta dos juros negociados no mercado futuro da BM & F. O CDI previsto para a virada do ano subiu de 13,81% para 13,83%. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, avançou de 14,62% para 14,66%. O swap de 360 dias ganhou 0,02 ponto, a 14,58%. O IBGE divulga hoje o IPCA-15 relativo a agosto e as apostas de última hora se afunilam para a faixa estreita entre 0,35% e 0,40%, em pesada queda frente o 0,63% de julho. Os juros futuros só reagirão com quedas se a alta externa do petróleo se revelar um rali especulativo inconseqüente.

O dólar negociado no mercado à vista doméstico não seguiu a tendência externa. A entrada de investidores estrangeiros fez a cotação declinar 0,55%, para R$ 1,6110. A posição comprada mantida por investidores estrangeiros nos contratos futuros da BM & F caiu mais um pouco. Reduziu-se de US$ 2,205 bilhões no dia 19 para US$ 1,335 bilhão no dia 20. Os hedge funds caminham, no futuro, na direção oposta à trilhada pelos bancos nacionais no segmento spot. Segundo o BC, até o dia 19 a posição de reserva dos bancos no exterior (comprada) aumentou para US$ 6,067 bilhões, ante US$ 2,987 bilhões ao fim de julho. Nesse período (13 dias úteis de agosto), a balança cambial apresentou superávit de US$ 3,7 bilhões.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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