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Análise: Busca por ativo real dispara ouro

SÃO PAULO - Os investidores globais persistem em busca de ativos reais que forneçam proteção aos seus patrimônios contra a inflação americana e a remuneração insuficiente fornecida pelos títulos do Tesouro dos EUA. As commodities integram o rol de ativos reais. O índice CRB Reuters subiu ontem 2,02%, em fevereiro 11,95% e, no acumulado do ano, 15,30%. O ouro se destaca. Ontem, a onça-troy subiu 1,49% no mercado spot de Nova York. Em fevereiro já valorizou-se 5,11% e, no ano, 15,71%. O dólar persistiu em queda nos mercados internacionais.

Valor Online |

A derrocada global do dólar aumenta o poder de compra dos investidores que usam suas moedas de origem para comprar commodities. O raciocínio vale para qualquer commodity, inclusive o petróleo, desde que negociada primariamente na moeda americana. A queda do dólar acaba tornando os produtos básicos mais baratos. Para manter a paridade cambial com o dólar, o preço das commodities sobem mesmo não havendo um correspondente aumento de demanda. Isso explica porque a recessão nos EUA não derruba, como seria lógico, o preço do petróleo. Ontem, paradoxalmente, o barril fechou em alta de 3% na Nymex, em novo recorde a US$ 102,59.

A moeda americana recebeu ontem nas principais praças financeiras do mundo impulso adicional à queda procedente de dados econômicos e de novo pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke. O governo americano manteve em 0,6% o crescimento do PIB previsto para o último trimestre de 2007, quando o mercado esperava revisão para 0,8%. Além do baixo crescimento, as instituições se surpreenderam com o aumento nos pedidos de auxílio-desemprego. A solicitação de seguro-desemprego subiu de 354 mil para 373 mil quando os economistas previam queda para 350 mil. Ou seja, a recessão pode já estar agindo nos EUA.

O que Bernanke fará a respeito? Os bancos não gostaram do discurso que ele fez ontem no Senado. Nele, repete as linhas gerais do foco de atuação do Fed já descritas em várias oportunidades, inclusive na véspera em fala na Câmara dos Deputados. Mas inovou num aspecto desagradável ao mercado. Embora tenha descartado uma estagflação, admitiu que o momento atual é mais complicado para o Fed do que foi a recessão mais recente, deflagrada em 2001 pelo estouro da bolha da internet. E exigiu dos bancos uma colaboração mais ativa sob a forma de aumentos de capital.

Analistas alegam que os bancos vem distorcendo as declarações de Bernanke e isso está irritando o dirigente do Fed. Enquanto ele vem insistindo que a atuação monetária do Fed será pontual , os economistas de bancos passam a idéia de um movimento contínuo de redução dos juros. Os bancos querem mais cortes na taxa básica embora os já feitos não tenham provocado redução de custo na pontal final dos empréstimos nem propiciado aumento do crédito. Pelo contrário, como os bancos estão mais rigorosos na concessão de empréstimos, os custos têm subido para o tomador final e o volume de crédito tem diminuído. Como as artérias do mercado de crédito continuam entupidas, a liquidez que o Fed injeta fica empoçada nos bancos. Ou seja, as reduções de juros beneficiam apenas os bancos, pois amplia-se o acesso a uma oferta maior de liquidez e a um custo cada vez menor, com objetivo de reconstruir suas reservas, abaladas pelas perdas com derivativos de crédito estruturados. E não chegam aos mutuários e aos consumidores finais. Há hoje uma feroz queda-de-braço não declarada entre o Fed e os bancos, num momento em que a inflação dispara.

O dólar negociado no mercado brasileiro chegou ontem a ensaiar uma realização de lucros. Passou o dia inteiro em alta, mas, depois do leilão de compra do BC, fechou em baixa de 0,17%, a nona consecutiva, cotado a R$ 1,6690. É que os bancos retiveram moeda, forçando a alta, para vender mais caro ao BC no leilão. Como ele não topou a brincadeira e só aceitou uma proposta, adquirindo apenas US$ 15 milhões, as instituições foram forçadas a desovar moeda no final do dia a preços mais baixos. As compras de moeda pelo BC não têm sido expressivas. Pelas contas dos operadores, faltando um dia para o encerramento de fevereiro, ele já comprou no mês US$ 2,756 bilhões, o equivalente a US$ 153 milhões por dia útil. Em janeiro, a média por dia útil foi de US$ 104 milhões. O BC compra pouco por uma razão muito simples: o fluxo oficialmente conhecido (até o dia 21) é negativo, ou seja, sai mais dólar do que entra. Em fevereiro (até o dia 21) o fluxo foi negativo em US$ 366 milhões. Ou seja, o BC está comprando posição cambial de banco e não fluxo.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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