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Análise: À espera dos pacotes, juro sobe e dólar cai

SÃO PAULO - As leves pressões inflacionárias que puxaram para cima as projeções de IPCA para o ano não são combatidas por decisões de política monetária. Não decorrem nem de aquecimento de demanda, nem de depreciação cambial, os dois fatores sensíveis ao reaperto monetário.

Valor Online |

Sazonais, as pressões não diminuiriam se o Copom do Banco Central desacelerasse o ritmo de queda da taxa Selic. É o que se constata a partir da pesquisa Focus, feita junto a cem instituições do mercado financeiro, divulgada ontem. Enquanto a estimativa de IPCA para este ano foi elevada de 4,60% para 4,73%, distanciando-se do centro da meta de inflação, de 4,5%, o prognóstico médio para a taxa Selic no final de março recuou de 12,16% para 11,96% entre as Top 5, o grupo das cinco instituições que mais acertam projeções. Os juros futuros subiram para " realizar " lucros.

O CDI previsto para o final do ano subiu de 11,03% para 11,14%. A taxa para janeiro de 2011 avançou de 11,44% para 11,53%. O piso do custo do dinheiro privado - o juro do swap de 360 dias - subiu de 10,99% para 11,14%. Mas como o IPCA projetado para o mesmo período do swap não acompanhou a alta da estimativa para 2009 - permanecendo no mesmo patamar de 4,69% da semana anterior - o juro real subiu do recorde de baixa de 6,02% estabelecido na sexta-feira para 6,16% ontem. Mesmo assim trata-se de um dos mais baixos da série histórica.

Para o clima de alta do juro, colaboraram também as informações sobre o forte crescimento da produção interna de veículos e a expectativa positiva em relação à aprovação do plano fiscal de recuperação da economia americana. O mercado não gostou do adiamento da divulgação do pacote de salvamento dos bancos elaborado pelo secretário do Tesouro Timothy Geithner. O anúncio das medidas parece estar condicionado à aprovação do pacote fiscal pelo Congresso. Ou seja, se este não votar o plano fiscal, o de salvamento ficará para quarta-feira. Os dados da Anfavea surpreenderam os analistas e foram utilizados, por alguns, como indício de que o apavoramento desencadeado pela pesada queda da produção industrial de dezembro foi excessivamente passional e incompatível com a realidade. Segundo a Anfavea a produção de veículos cresceu 92,7% em janeiro, para 186.124 unidades, ante 96.586 unidades montadas em dezembro de 2008.

O ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore adverte, em relatório, que tais recuperações não devem ser comemoradas. " Esse rebound na produção industrial deverá ocorrer brevemente, e quando ocorrer muitos se precipitarão em comemorar o final da crise. Infelizmente essa será uma comemoração errada " , diz. Isso porque, na opinião de Pastore, há muito mais nesse movimento de queda da produção industrial do que simplesmente um ciclo de estoques. Há uma queda significativa da demanda agregada (a soma do consumo das famílias) da demanda por investimentos em capital fixo e da demanda externa (as exportações líquidas). " E se olharmos apenas para o setor automobilístico, formaremos uma visão distorcida da demanda agregada " , diz o relatório. Pastore vê uma via desimpedida para a queda da taxa real de juros. O seu raciocínio é o de que, com a queda acentuada dos preços das commodities em dólares e com a redução expressiva da demanda em comparação à oferta (o alargamento do hiato de produto), caiu o " pass-through " da depreciação cambial para os preços. E, com o alargamento do hiato de produto, abriu-se um largo espaço para o recuo da taxa real de juros. Estas duas forças - juros reais em baixa e a redução do " pass-through " - são as que sustentam a queda contínua das projeções de inflação.

Na quinta queda consecutiva, o dólar cedeu ontem 0,75%, a R$ 2,2370. Na expectativa da aprovação das medidas engendradas por Obama e sua equipe para debelar a crise econômica, diminui a aversão a risco e a fuga para os títulos do Tesouro americano e para o dólar. O fluxo de capitais se mantém positivo, dispensando as intervenções de venda de moeda feitas pelo BC. De setembro até janeiro, o BC vendeu diretamente das reservas US$ 14,2 bilhões, o que é quase nada para a dimensão da crise atual. Os investidores estrangeiros diminuíram o ritmo de desmonte das posições " compradas " liquidamente nos pregões de derivativos cambiais da BM & F. A redução foi de apenas US$ 467 milhões entre os dias 5 e 6. A posição " comprada " entre os pregões de dólar futuro e cupom cambial caiu de US$ 10,691 bilhões para US$ 10,224 bilhões. Dependendo do teor do pacote de incineração dos papéis tóxicos que contaminam a carteira dos bancos americanos, tais posições virão abaixo rapidamente. E, com elas, o preço do dólar.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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