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Análise: A bolha furou? No vácuo, juro despenca

SÃO PAULO - Os juros despencaram ontem no mercado futuro da BM & F a ponto de os investidores voltarem a equilibrar as apostas para o próximo Copom, dia 23. Até sexta-feira, o escore era avassalador: altas lineares de 0,75 ponto em todas as quatro reuniões de política monetária até o fim do ano. Após dois pregões de queda, as forças se nivelaram. Agora, a contagem está meio-a-meio para continuidade do avanço de 0,50 ponto e para aceleração para 0,75 ponto. O CDI previsto à virada do ano caiu de 13,50% para 13,41%. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, cedeu de 15,36% para 15,20%. A ponta curta da curva de juros - a de menor liquidez - caiu pouco. Para setembro deste ano, a taxa recuou de 12,56% para 12,54%. A principal razão para a queda dos juros futuros foram as perdas sofridas pelas commodities agrícolas, metálicas e o petróleo. Ajudou na baixa a expectativa de que os próximos índices de inflação irão mostrar desaceleração significativa.

Valor Online |

Os especuladores em mercados futuros de commodities e petróleo estão perdendo a fundamentação técnica que fornecia justificativas logicamente plausíveis para as estripulias megaalavancadas. Os fundamentos principais que estão sendo revistos são estes: o mundo continuaria crescendo, o dólar persistiria fraco e o Fed manteria sua posição monetária leniente. O coro dos que profetizam uma desaceleração econômica em escala global ganhou ontem a importante adesão dos países do G-8. O grupo alertou que o mundo vai crescer menos por causa da disparada de preços dos alimentos e do petróleo. O Fed está mostrando suas garras. O falcão de Richmond, Jeffrey Lacker, considerou a inflação inaceitavelmente alta e defendeu uma elevação do juro, hoje congelado em 2%, mesmo se o desemprego persistir em expansão.

E, em discurso, Ben Bernanke tentou desvincular a política monetária da crise de crédito. Defendeu a ampliação dos poderes fiscalizatórios do Fed e disse que o socorro de liquidez aos bancos de investimentos persistirá em 2009 e que as corretoras de Wall Street poderão também receber ajuda da autoridade. Ou seja, como o caixa das instituições estará sob vigilância e sob à proteção do Fed, a política monetária estará livre para resolver outros problemas mais cruciais, como os riscos inflacionários e a debilidade do dólar. Em reação aos discursos, o dólar passou o dia valorizado em relação ao euro e ao iene. E também em relação ao real. A moeda americana subiu no mercado doméstico 0,74%, cotada a R$ 1,6130.

Com o tripé que fundamentava a especulação rachado, os players trataram de reduzir suas posições compradas. Na Nymex, o barril despencou ontem 3,77%, para US$ 136,04. Em dois dias a baixa chega a 5,8%. O índice CRB - aglutina a evolução de 19 commodities, inclusive o WTI de Nova York - caiu ontem 2,39%. No mês, a baixa é de 3,17%. Mas, no acumulado do ano, registra avanço de 24,91%. A bolha furou? Tanto o CRB quanto o petróleo têm muito ainda a devolver antes que se possa caracterizar um estouro de bolha. Para alguns analistas, isso só acontecerá, depois da quebra de alguns hedge funds, quando o petróleo estiver no preço de equilíbrio entre oferta e demanda, atualmente calculado em US$ 70,00.

Os especuladores irão testar a determinação das autoridades monetárias mundiais em por um fim à escalada do petróleo e das commodities. Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da SLW Asset, observa que as economias centrais esperam que uma correção de preços de commodities contenha a inflação. No entanto, praticam juros reais negativos, pois não estão subindo os juros nominais no ritmo do aumento da inflação. Nesse contexto, dificilmente haverá no curto-prazo, um ajuste na trajetória das principais commodities internacionais , diz ele.

A economia brasileira está, no entender do economista, bem posicionada em relação a crescimento e inflação quando comparada aos demais emergentes. A taxa real média de juros dos emergentes é de -0,5%. Este número mostra que é preciso um aumento agregado ainda expressivo da taxa de juros a fim de conter a escalada inflacionária , diz. Para Carlos Thadeu Filho, nesse ambiente de taxa real negativa, fica difícil esperar que haja uma contração mais forte da atividade com o efeito de reprimir a demanda por commodities. O resultado da prática de juros abaixo do equilíbrio se dá em um crescimento médio ainda elevado dos emergentes, de 5,6%. Ou seja, os governos não querem forçar o estouro da bolha para não comprometer o produto. Mas este já se mostra abalado pelo tamanho desmesurado da fúria especulativa.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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