SÃO PAULO - A japonesa All Nippon Airways (ANA), que será a empresa a lançar o novo modelo de avião da Boeing, o 787 Dreamliner, afirmou que fechou acordo para receber sua aeronave em agosto do ano que vem. Isso apesar da expectativa de novos atrasos no programa, causados pela greve de metalúrgicos da fabricante que, no domingo, entrará em sua quarta semana.

O programa já acumula atrasos de mais de um ano e, mesmo que a Boeing consiga manter o prazo de entrega de agosto para a ANA, o primeiro avião chegará ao cliente 15 meses depois do que havia sido previamente acertado. O problema é que o 787 ainda nem começou seus testes de vôo, necessários para a certificação e para a entrega. Com a greve, a montagem final do primeiro avião de testes está paralisada.

Para que a fabricante consiga retomar o programa, e trabalhar para um cronograma estável de entregas, é necessário primeiro chegar a um acordo com os grevistas e retomar as atividades de produção, além de resolver os problemas de softwares internos do avião, que vinham atrasando o programa.

Ontem, porém, o presidente do conselho, presidente e executivo-chefe da Boeing, Jim McNerney, indicou que a greve não está próxima de terminar. "Estamos em um impasse no momento", afirmou. "Não temos sido capazes de encontrar um meio termo para discutir o que precisamos para resolver o problema", acrescentou McNerney.

Segundo a ANA, seus seis 787s deverão ser entregues até 2017, e não até 2015, como inicialmente planejado. O atraso das entregas varia de 14 a 36 meses, com média de cerca de dois anos.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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