Depois de divulgar a entrada no setor sucroalcooleiro com a aquisição de 40% da Usina Boa Vista, do Grupo São Martinho, a Amyris Brasil anunciou ontem parcerias com mais três grupos para a produção de especialidades químicas feitas da cana-de-açúcar. Segundo o presidente da Amyris Biotechnologies Inc.

, John Melo, foram assinadas cartas de intenção com a Cosan, Açúcar Guarani e Bunge para a produção de combustíveis e materiais químicos renováveis de alto valor agregado.

Melo explica que, diferentemente da negociação com a São Martinho, onde a Amyris terá participação na Usina Boa Vista, as parcerias envolvem apenas a implantação da tecnologia da Amyris nas usinas parceiras para a produção de renováveis exclusivos.

Nas usinas em que for instalada a tecnologia da Amyris, além de açúcar e etanol, será possível também a produção de farnaseno, um componente químico resultado da fermentação do caldo de cana com leveduras. Em cada usina deverão ser investidos US$ 50 milhões, um décimo do necessário para que uma indústria do setor químico produza as mesmas moléculas.

O farneseno é utilizado como matéria-prima para a produção de lubrificantes, cosméticos, solventes, adesivos, diesel, combustíveis de avião, defensivos agrícolas e até vitamina E.

A estratégia da Amyris é produzir e comercializar, em um primeiro momento, produtos com maior valor agregado, informa o executivo. Segundo ele, o diesel feito de cana, por ser um produto com margem pequena e de menor valor, será produzido apenas depois de 2012.

A parceria ainda se encontra em fase de estudo de implantação e de obtenção de capital para investimento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser um parceiro.

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