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#145;Trabalhar na GM era um sonho#146;, diz Nádia

Filha de um agricultor aposentado e de uma dona de casa analfabeta, Nádia Ramos, de 31 anos, de Caçapava (SP), acreditou ter direito a um futuro diferente.Começou a trabalhar com 12 anos.

Agência Estado |

Foi babá, feirante, juntou dinheiro e aos poucos avançou nos estudos. Fez um curso no Senai e estava feliz na faculdade de Gestão de Recursos Humanos, iniciada no ano passado.

Ontem, a mãe de Lucas, de 12 anos, estava com olhos inchados, abatida pela insônia que a atormentou a noite toda. Ela fazia parte da lista de 744 profissionais que tiveram o fim do contrato temporário de trabalho antecipado pela GM. Ele expiraria em agosto. Só na seção dela, de montagem de motores, foram cortados mais 13. Sobraram seis no departamento.

A notícia sobre a suspensão do contrato foi dada depois do almoço, por volta das 13h30, perto do fim do expediente do turno da manhã. Nádia esperava uma reunião rotineira. Quando chegou ao grande auditório, percebeu que o tema da conversa seria outro. "É com muito pesar que temos de encerrar o contrato de vocês", começou a falar um dos profissionais. Choros, abraços e muita tristeza pelo começo de ano sem perspectivas. Na mesma hora, alguns funcionários passaram recolhendo os crachás dos desligados. Nádia conseguiu uma carona para casa e, assim que chegou, ligou para desabafar com a mãe. À noite, conversou com o filho Lucas. Solidário, o menino de 12 anos se ofereceu para trabalhar e reforçar o orçamento.

Não foi apenas o emprego que sumiu dos planos de Nádia, mas a perspectiva de ajudar a atenuar os efeitos da bronquite do filho com as aulas de natação, o curso de inglês que pagava para o menino ter mais oportunidades na vida e a vaga na faculdade que conseguiu com tanto esforço. Sem falar do Corsa 2002 financiado que comprou no ano passado. "Escolhi o modelo porque é da GM. A gente tem de comprar o produto que ajuda a fazer, em que confia."

A prestação do carro é de R$ 430, mais os R$ 280 da faculdade, os remédios e os cursos do filho. O salário era de cerca de R$ 1,8 mil. Agora ela vai ter de apertar o cinto. "Vou correr atrás de um outro emprego. Sei que está todo mundo demitindo, mas ontem mesmo fui a uma lan house atualizar o currículo. Trabalhar na GM era um sonho, dei o sangue para chegar até aqui. Nem sei quantas vezes deixei meu currículo no RH. Agora, depois de um ano e meio, tudo simplesmente acabou. Hoje acordei no horário de sempre, 4h30, e não mais tinha para onde ir. Fiquei na frente da TV vendo o tempo passar", relata. Apesar da tristeza, ela se diz confiante: "Vou trabalhar em qualquer outra coisa. Não posso desistir."

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