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#145;Tem empresário esperto forçando a mão por lucros#146;

Alguns empresários podem estar forçando a mão nas demissões para pressionar o governo a adotar medidas de socorro, disse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ao Estado. Tem espertos, comentou.

Agência Estado |

Para ele, essa estratégia não é a melhor, pois a empresa terá dois custos: para demitir e para recontratar alguns meses depois. Na avaliação dele, o mercado de trabalho terá índices ruins em dezembro - "o pior da história"-, janeiro e fevereiro. Em março, começará a se recuperar, fechando o ano com 1,5 milhão de novas vagas. "É uma onda de espuma", disse ele. Seguem os principais trechos da entrevista.

Empresários e centrais sindicais reuniram-se anteontem na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para amarrar um acordo de redução de jornada e salários. Isso vai funcionar?

Se as partes envolvidas acordam, não cabe ao poder público interferir. Eu defendo que tenhamos muita tranquilidade neste momento. Essa crise já está no ápice dela, para o fim.

O sr. acha que acaba logo?

Não dura mais que dois meses. Minha previsão é que em março a gente volte a ter crescimento bom no emprego. Por isso, o empresariado tem de ter muita cautela na hora de demitir, porque senão vai ter duas despesas: para demitir e contratar de novo. Por quê? Porque o mercado brasileiro continua aquecido. O empresariado tem de ter um diálogo permanente com o trabalhador, buscar saídas inteligentes, que não levem a demissões.

O sr. acha, então, que é uma boa iniciativa.

É minha tese de concepção do mundo do trabalho: quando as partes se entendem, o governo não tem de interferir. E tem de intervir mais fortemente quando tem demissão, desemprego. Por isso, queremos agir.

O sr. acha que esse tipo de acordo segura a onda de desemprego?

Essa onda está no fim. Toda onda acaba em espuma.

Que espuma é essa?

A espuma é nada. Isso é filosofia de vida de carioca. Quando a gente olha para o mar, vê aquela onda, parece que vai matar todo mundo, mas, na beira da areia, ela é nada.

Outra marolinha, ministro?

É uma onda. E de espuma. É claro que a crise tem efeito no Brasil. Mas temos condições diferenciadas, como reconhecem todos os países. Tivemos um dezembro que foi o pior da história.

É fato que foram fechadas 600 mil vagas em dezembro?

Não tenho números finais, mas (a queda) é muito forte.

Muito mais que as 300 mil vagas que são fechadas sazonalmente em dezembro?

Muito forte, muito mais que a média.

Falar em 600 mil é exagero?

Não posso afirmar, não quero correr riscos. Os números estão sendo fechados, na segunda-feira que vem eu anuncio. Mas a previsão é muito ruim. Eu já achava que ia ser ruim, mas nem tanto. E, em janeiro e fevereiro, teremos meses fracos de contratação, não teremos dois meses fortes como foi em 2008. Mas março começa a reaquecer. Estou adivinhando? Não. Porque é da natureza de uma economia que teve retração.

Por que janeiro e fevereiro serão fracos?

Janeiro e fevereiro são meses sem grandes investimentos, não há lançamentos imobiliários, está todo mundo de férias. Cresce a área de serviços, de lazer, hotelaria. Mas a área que emprega mesmo não vai crescer tanto. Em março, começa uma nova etapa. A etapa em que o mundo já se arrumou, o governo já vai ter uma ideia dos resultados das medidas que vem tomando desde outubro. Acho que a partir de março retomamos a geração de empregos forte. Chegaremos a 1,5 milhão este ano.

É verdade que, na conversa com o presidente Lula, foi discutida a possibilidade de novas desonerações tributárias para setores intensivos de mão-de-obra?
Não foi discutido. O presidente está examinando propostas, quer dados detalhados para saber que medidas tomará. A minha moeda é o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, elaborado pelo Ministério do Trabalho, que registra abertura e fechamento de vagas com carteira assinada). Eu trabalho com emprego, então, tenho de levar os meus dados divididos por área, setor, região, para que a gente possa ter, com esses dados, medidas focadas. Em cima disso, o presidente vai fazer com que a equipe econômica trabalhe e poderá haver novas isenções (tributárias).

Na meca do capitalismo do mundo, que são os Estados Unidos, o governo está liberando alguns bilhões para a GM e a Ford, exigindo garantia de emprego.

Aqui, não foi exigido isso. O governo errou?


Só posso responder pela área pela qual tenho responsabilidade. Na área do Ministério do Trabalho, para os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) será exigida a contrapartida de garantia de emprego. Só posso responder pela minha área. Na minha área, vai ser exigido.

O que mais pode ser feito? O sr. falou na possibilidade de ampliar o pagamento do seguro-desemprego, mas isso é paliativo, não?

É, e é setorizado. O governo tem de ver as macropolíticas. Baixar a taxa de juros é fundamental, mas os bancos privados também têm de baixar as suas taxas. Não adianta o Copom (Comitê de Política Monetária, que define a taxa de juros básica da economia, a Selic) sair baixando os juros se os bancos privados continuarem com taxas na estratosfera. Ou os bancos privados entendem que têm de baixar a taxa de juros para continuar ganhando dinheiro ou eles também vão perder dinheiro. Não adianta cobrar só o governo.

Mas tudo isso é suficiente para segurar as demissões? A GM demitiu 802, cerca de 1.000 pessoas perderam o emprego no setor de avicultura...

Mas anunciaram mais 1.200 empregos numa montadora que está indo para o Rio de Janeiro (na realidade, um investimento da Michelin, que vai abrir 200 empregos diretos e 1.000 indiretos). É muito relativo. É a versão carioca. Repito: tem muita gente que vê uma onda e acha que o mundo vai acabar, esquece que ela vira espuma. Isso é uma onda, e toda onda acaba em espuma.

O sr. acha que os empresários estão sendo precipitados em demitir?

Muitos estão.

Eles estão forçando a mão para pressionar o governo?

Forçando a mão para pressionar, ganhar uma margem de lucro maior...Tem "espertos". Só que a sociedade não é mais de "espertos", não.

O presidente está irritado com as montadoras por elas terem demitido?

Ele não falou detalhadamente isso.

E esse dado do Caged de dezembro? O sr. falou que vem ruim?

Falei, falei. Isso preocupa, é óbvio. A maior preocupação dele é emprego. Isso é natural e legítimo, até porque a natureza do Lula é a de um trabalhador sindicalizado que sabe o que é o desemprego na vida.


Quando o sr. volta a se reunir com ele para discutir medidas?

Está marcado para a semana que vem, mas depende de ele me dizer o dia e a hora. O presidente é quem marca. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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