Os contratos financeiros que auxiliaram a Grécia, com colaboração do banco americano Goldman Sachs, a maquiar as contas públicas e ingressar na zona euro, estão ameaçados de vigilância estreita. O credit default swap (CDS), contratos de proteção financeira entre compradores e vendedores que servem como garantia em caso de falência ou calote, estão no centro da polêmica na Europa e no alvo do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), que está trabalhando na reforma do sistema regulatório internacional.

A confirmação veio ontem por meio do presidente do FSB e do Banco Central da Itália, Mario Draghi. Falando ao término das reuniões entre autoridades monetárias e supervisores, o italiano afirmou que o conselho estuda meios de aumentar a transparência dessas operações, sem, entretanto, proibi-las. "A sensação que tenho é que os governos estão cada vez menos confortáveis (com os CDS) porque eles têm implicações sistêmicas da mesma forma que bancos muito grandes", afirmou. "Cada vez que alguma coisa tem implicações sistêmicas, você pode apostar que ele enfrentará mais regulação sistêmica."
No fim de semana, autoridades como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, protestaram contra a falta de regulação dos CDS. Draghi respondeu: "É muito pouco provável que esses mercados continuem no mesmo estado em que estavam antes da crise", sem, no entanto, detalhar que medidas estão em estudo para combater o viés especulativo dos contratos.

Draghi e o FSB trabalham na reforma do sistema financeiro e devem apresentar até setembro um projeto de renovação dos meios de supervisão. Entre as prioridades estão novas exigências de liquidez dos bancos, controle aprimorado de instituições "grandes demais para falir" ou que gerem "risco sistêmico" e a convergência das normas internacionais.

Mais uma vez, o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, garantiu que o País já adota controles mais detalhados sobre os contratos derivativos. "O Brasil está muito avançado nisso", assegurou, lembrando de exigências como contraparte central, registro das operações de balcão e definição de imagens e garantias.

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