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#145;Selic pode cair para 11,25% já no 1º semestre#146;

Para o ex-diretor do Banco Central (BC) José Júlio Senna, a queda de 5,2% da produção industrial em novembro revela uma forte desaceleração da economia, o que deve fazer com que a taxa básica de juros (Selic) caia mais rapidamente do que se espera hoje. O resultado da produção industrial surpreendeu o sr.

Agência Estado |

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Esperávamos uma queda de 4% (em relação a outubro), talvez até um pouco mais do que isso. A produção de veículos é 10% da produção industrial. E o número de novembro mostrava uma queda de 30%. Isso, por si só, dava uma pista da magnitude da queda da indústria como um todo.

Preocupa?

Sem dúvida. O cenário internacional é o que tem mandado. Estamos em um ponto no qual as políticas de estabilização de cunho fiscal e monetário não têm produzido resultado. Em outras palavras, a desaceleração da economia mundial tende a se acentuar, agora com um risco ainda maior advindo da ameaça de deflação nos países desenvolvidos. Nesse ambiente, o consumo das famílias tende a se retrair ainda mais. Você não compra a geladeira que precisa hoje porque o preço tem tendência de queda. Com os ventos externos soprando de maneira tão adversa, não tem como o Brasil evitar uma desaceleração significativa em 2009.

Como fica o PIB (Produto Interno Bruto) no último trimestre?

Deve haver uma queda superior a 1% na margem (em relação ao terceiro trimestre), talvez até 1,5%. A expansão no terceiro trimestre foi significativa e, embora pareça paradoxal, contribuiu para atrapalhar a visão do BC. Havia a impressão de uma economia muito aquecida, mas, quando o número foi divulgado, era uma visão típica de retrovisor. Isso talvez tenha inibido os formuladores da política monetária.

E a taxa de juros, então?

O padrão de condução da política monetária pode ser alterado. Sabemos que a tendência no Brasil é a taxa subir de elevador e descer de escada. Agora, é bem possível que se reverta. Podemos ter a Selic em 11,25% (ante os 13,75% atuais) já no fim do primeiro semestre.

Quanto cresce o PIB em 2009?

Nas nossas contas, 2,5%. O cenário mudou drasticamente - e de forma muito rápida. Um exemplo é a inflação. Pelo modelo estrutural do BC, o IPCA fechará 2009 em 4,3% (ante uma meta de 4,5%). Pelos nossos modelos, em 3,9%. A inflação corrente está passando por uma desaceleração fortíssima.

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