O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esconde a ansiedade com novas medidas do governo dos Estados Unidos para combater a crise financeira. Em viagem ontem ao sul do Tocantins, ele reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo presidente Barack Obama: Confesso a vocês que, embora seja muito importante ser presidente dos EU, acho que nosso querido companheiro Obama está com um pepinaço na mão.

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"Eu rezo para ele mais do que rezo para mim, para que consiga encontrar uma saída para os EUA e quem sabe isso ajude a resolver o problema de outros países." Em discurso durante inauguração da usina hidrelétrica São Salvador, ele disse que o Brasil depende das medidas tomadas pelos EUA e pela União Europeia para sair da crise financeira. "Obviamente que vai depender muito do que fizerem os americanos daqui para frente, um pouco do que fizer a UE daqui para frente, porque embora o Brasil tenha política de balança comercial muito diversificada, nossos compradores dependem muito do que exportam", avaliou.

Por isso, disse, a desaceleração nas economias centrais pode ter efeitos disseminados por toda o mundo. "Se a China para de vender para a França, ela deixa de comprar de alguém. Se a Índia para de vender para a Inglaterra, ela para de comprar de alguém. Assim, temos uma cadeia que faz com que nos países emergentes haja uma retração - e não recessão como tem na Europa e nos EUA."

O presidente observou que 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da China depende do comércio exterior. Por isso, aquele país é mais fortemente afetado pela retração. No Brasil, a dependência em relação às exportações é menor: 13%.

"Todo mundo, até o mais humilde trabalhador que trabalhou no canteiro dessa obra, sabe que essa é uma crise mundial, que nasceu nos EUA. E sabe que ela está ligada a um setor habitacional dos EUA."

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