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#145;O mercado foi nossa salvação#146;

A crise financeira não teve apenas aspectos negativos, na avaliação do presidente da Coteminas e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Josué Gomes da Silva. No debate O Brasil e a Crise, realizado ontem pelo Grupo Estado, o empresário destacou o efeito da turbulência sobre a taxa de câmbio que, na sua avaliação, beneficia as exportações brasileiras.

Agência Estado |

"O mercado nos salvou", disse, festejando a escalada do dólar, que ontem fechou em R$ 2,074.

Gomes da Silva admitiu, no entanto, que foi um exagero a subida do dólar para R$ 2,50, como aconteceu na semana passada. Para ele, "é essencial que a desvalorização cambial fique num patamar mais correto". Esse patamar seria algo em torno de R$ 2, disse ele. "O câmbio a R$ 1,50 (que foi registrado antes do agravamento da crise) era um desastre muito maior do que a R$ 2", afirmou. "Nós demos sorte", acrescentou.

O presidente da Coteminas disse também que não condena as empresas que fizeram aplicações em derivativos cambiais para compensar o real extremamente valorizado, em um momento anterior à explosão da crise. Para ele, essas operações financeiras são normais e eram recomendadas pelos principais especialistas do mercado. "Há dois meses ninguém imaginava que poderíamos chegar a esse ponto. Pode ser que algumas empresas exageraram."

Mas, completou Gomes da Silva, cada empresa sabe de si, são bem conduzidas e sabiam os riscos que estavam correndo. Informações levadas ao Palácio do Planalto na semana passada indicavam que o estouro da bolha cambial pode ter contaminado pelo menos 200 empresas brasileiras. "Dizem inclusive que algumas nem tinham receita em dólar. Isso é especulação", afirmou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Na opinião dos economistas que participaram do debate, o anúncio de ação coordenada de vários países para socorrer as instituições financeiras privadas deram um alívio importante ao mercado mundial. "Achou-se um caminho para tratar do problema. O diagnóstico das perdas do sistema estava levando à falta de credibilidade para emprestar dinheiro no mercado. Do ponto de vista de sistema, a ação melhora o problema de solvência e liquidez", afirmou o economista-chefe para América Latina do Santander, Alexandre Schwartsman. Agora, no entanto, vem os efeitos de todo esse pânico na economia real. Para ele, a recessão já está encomendada.

Para o diretor da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Tomás Málaga, o primeiro passo agora é restabelecer a confiança dos consumidores, que estavam preocupados com a saúde financeira dos bancos. O segundo passo, diz ele, é fazer com que o capital tenha capacidade para gerar ativos. "Se não tem capacidade de gerar ativos, não tem capacidade de gerar investimentos."

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