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#145;O governo deve pressionar a Rússia#146;

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, diz que o governo brasileiro deve aproveitar a visita, ao Brasil, do presidente russo, Dmitri Medvedev, e pressioná-lo para acabar com o comércio discriminatório. Esse comércio estabelece cotas por país para compra de carnes suína e bovina.

Agência Estado |

Para 2009, o governo russo deu preferência à União Européia e aos Estados Unidos ao distribuir as cotas de importação de carne. O Brasil apareceu sob a rubrica de outros países, o que limita a sua fatia no bolo. Hoje a Rússia é o principal mercado para as carnes brasileiras, respondendo com 40% das exportações no caso da carne suína.

"O governo brasileiro chegou atrasado nas negociações, quando a Rússia já tinha assumido compromissos com os Estados Unidos", afirma Camargo Neto. Ele diz que é hora de reverter o quadro, com a retomada das negociações para que a Rússia entre para a Organização Mundial do Comércio (OMC). "A Rússia precisa entender que o comércio de carnes é questão prioritária para o Brasil ." A seguir os principais trechos da entrevista.

Por que o Brasil não foi contemplado com uma cota para vender carne para Rússia no ano que vem e está junto de "outros países"?

O atual sistema de cotas está em vigor faz alguns anos e está baseado em volumes exportados por fornecedores antigos. A primeira exportação de carne suína do Brasil para a Rússia ocorreu em 2002. Agora, com a retomada das negociações para a eventual entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), é a oportunidade para alterar esse sistema. As novas regras, porém, valeriam a partir de 2010 ou antes, se a Rússia realmente quiser.

O sistema atual de cotas que beneficia a União Européia e os Estados Unidos se deve uma questão política, ligada ao apoio desses países à entrada da Rússia na OMC?

O Brasil apoiou a entrada da Rússia em 2005, por ocasião da visita do presidente Lula a Moscou, com a promessa de que não haveria redução no comércio. Infelizmente, o comércio se reduziu. Agora é a oportunidade para corrigir isso. Temos de olhar para frente. Não podemos errar.

O Brasil dormiu no ponto nessas negociações sobre as cotas?

Chegamos atrasados para negociar. A Rússia já tinha assumido compromissos com os Estados Unidos.

O fato de o Brasil ter sido preterido nessa distribuição de cotas e estar no meio de "outros países" vai limitar a expansão das exportações brasileiras para a Rússia?

Já limitou as nossas vendas externas, com certeza. Exportaríamos mais com outro sistema de acesso ao mercado russo. Em 2005, vendemos para a Rússia 400 mil toneladas de carne suína. Neste ano, serão 250 mil toneladas.

Qual é a importância da Rússia como compradora das carnes brasileiras?
A Rússia é o maior mercado de carne bovina e suína brasileira. Na suína, representa 40% do que exportamos. Nas aves, poderia ser maior com outro sistema, pois a cota é limitante.

Como o governo pode reverter essa situação com a visita ao Brasil do presidente russo Dmitri Medvedev?

É preciso garantir prioridade ao tema. A Rússia precisa entender que o comércio de carnes é questão prioritária para o Brasil e não só energia nuclear aeroespacial ou conselho de segurança da ONU. No sábado, tive um encontro com o ministro da agricultura da Rússia, Alexey Gordeev, e ele me disse que compreende e apóia essa posição. Agora é a vez do presidente Medvedev.

O que os produtores poderão fazer para mudar esse quadro?

Nosso papel como produtor é expor, explicar e pedir prioridade para a questão. A negociação é com o governo, que deve pressionar para que o comércio não seja discriminatório. Isto é, que não sejam estabelecidas cotas para os países e prevaleça a competitividade de cada um para conquistar o mercado. Com isso, poderíamos retomar as 400 mil toneladas exportadas em 2005.

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