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#145;O BC vai ter de tomar o dinheiro de volta#146;

Diante da informação de que os grandes bancos estariam mantendo no caixa o dinheiro liberado pelo Banco Central (BC) dos depósitos compulsórios, em vez de fazer empréstimos e melhorar o crédito no País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ontem fazendo uma ameaça ao sistema financeiro. Lula disse que, se os bancos esconderem esse dinheiro, o Banco Central vai ter que tomar uma atitude, tomar o dinheiro de volta, pegar o compulsório outra vez.

Agência Estado |

O presidente lembrou que o BC já liberou do compulsório mais de R$ 100 bilhões. "O dinheiro disponibilizado pelo Banco Central é o do compulsório remunerado, liberado seguindo as taxas do mercado", disse Lula, acrescentando que a medida foi adotada "para ninguém dizer que está faltando dinheiro no Brasil para financiar quem quiser tomar dinheiro emprestado". E emendou: "Temos que garantir liquidez para que, se a pessoa for ao banco pegar dinheiro, o dinheiro esteja lá".

Depois de negar que existam bancos no Brasil enfrentando problemas por terem perdido muito dinheiro com a alta da moeda americana, Lula afirmou de maneira enfática que "nos bancos grandes ninguém tem problema". O que foi detectado, de acordo com o presidente, "foi problema nos bancos de investimento pequenos". "Foi por isso que nós, já há algum tempo, tomamos as medidas para garantir que os bancos maiores pudessem comprar as carteiras dos menores, para não permitir que esses bancos maiores fiquem com a espada na cabeça dos menores".

O BC, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que as medidas adotadas para desempoçar a liquidez já estão surtindo efeito, tanto que os grandes bancos estão comprando carteiras de crédito de outras instituições. Como as medidas foram adotadas há pouco tempo, acrescentou o BC, o seu efeito total ainda não ocorreu. Na avaliação da autoridade monetária, os movimentos iniciais dos bancos devem estar voltados para operações de crédito consignado, para depois mirarem em créditos automotivos e outros produtos.

Sobre a possibilidade de ajuda a empresas que tiveram prejuízos com a especulação em derivativos cambiais - e foram surpreendidas com a alta do dólar -, Lula disse que o socorro não pode ser uma regra generalizada, como dera a entender, na véspera, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Todas as empresas que apostaram dinheiro e perderam têm de arcar com as suas responsabilidades. O Brasil está disposto a criar condições para emprestar dinheiro, mas pela lógica do mercado", disse Lula, reafirmando que não haverá pacotes para resolver os problemas gerados pela crise financeira e que as medidas estão sendo tomadas de forma pontual.

Mesmo reconhecendo que "se houver recessão profunda na União Européia e os Estados Unidos, a crise poderá chegar ao nosso País", o presidente Lula disse que a ordem para a economia brasileira é continuar crescendo.

"Contra a crise econômica temos um lema: mais produção, mais mercado interno, procurar mais mercado externo, novos parceiros, porque é assim que vamos sair fortalecidos", disse. Na avaliação do governo, a crise não chegou logo ao Brasil porque o País está contratando obras públicas e fazendo investimentos. "Ao invés de ficar chorando, temos de encontrar meios de fazer o País crescer. Nesse negócio de crise econômica, não vale a música do Zeca Pagodinho: Deixe a vida me levar. Nesses negócios, a gente toma posição e sai na frente", afirmou.

Em relação aos bancos, Lula acrescentou: "O que não dá é para ficar na especulação de papéis. Porque o papel passa em 80 mãos e não produz sequer um botão. E vai 'enricando' as pessoas no meio. Um dia isso quebra. E acho que as pessoas aprenderam a lição". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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