O diretor de Investimentos da Porto Seguro e ex-diretor do Banco Central (BC), Sérgio Goldenstein, esperava alta de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que terminou ontem. Mas não acredita que a manutenção em 8,75% ao ano tenha sido negativa.

Como avalia a decisão?

Foi o Copom mais rachado dos últimos tempos. Isso se refletiu no placar da decisão, na avaliação dos economistas e no comportamento do mercado futuro. O mercado tem certeza do aumento, mas havia uma divisão entre março e abril. Havia bons argumentos para o aumento em março e para um aumento em abril. Esse placar rachado refletiu a divisão. Não dá para falar que tenha surpreendido.

Qual era a sua expectativa?

Esperava alta de 0,25 ponto, por achar que essa elevação facilitaria o consenso. Tinha convicção de que um placar sem aumento ou uma alta de 0,50 ponto racharia o Copom. Talvez isso seja ruim em um momento no qual se discute a saída do Meirelles. Qualquer que fosse a decisão, é apenas uma questão de timing. O mais importante é que ficou claro que o ciclo de alta do juro vai começar em abril.

A inflação vai superar a meta em 2010?

Vai superar o centro da meta por vários fatores temporários que provocaram surpresa inflacionária. Estão nesse caso o aumento das tarifas de ônibus e uma inflação mais alta de alimentos. Há boa probabilidade de que a inflação deste ano fique em torno de 5%.

De quanto será o ciclo total de alta do juro e até quando vai?

Acreditamos em um ciclo total mais moderado do que a média do mercado, entre 1,5 e 2 pontos. Em primeiro lugar, achamos que boa parte dessa aceleração recente da inflação foi motivada por fatores temporários. Em segundo, o aumento do compulsório tem efeito contracionista relevante. Além disso, esperamos acomodação da atividade, tanto pelo aperto monetário quanto pelo fim dos incentivos tributários.

Se a saída de Henrique Meirelles se confirmar, o início do ciclo de alta ficará a cargo do novo presidente. O que isso significa?

A tarefa do próximo presidente está facilitada, porque ficou mais do que claro que o Copom vai elevar o juro em 0,50 ponto na próxima reunião.

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