O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Antonio Evaldo Comune, avalia que o Banco Central acertou ao manter a taxa Selic inalterada. Como o sr.

avalia a decisão do Copom?

É muito sensata. Não havia motivos, olhando a evolução dos preços, para que alguma coisa fosse feita. O BC poderia parecer um pouco assustado com a arrancada da inflação em janeiro e fevereiro, que se deu por motivos tópicos, que não tendem a se repetir no resto do ano. Portanto, não há, do ponto de vista dos preços, uma pressão mais imediata para se tomar uma decisão com base em dois meses de fatores atípicos.

A aceleração dos preços no 1º bimestre foi por fatores atípicos?

Sim. Em janeiro, tivemos alta das tarifas de ônibus em São Paulo, após três anos sem reajuste. Foi 17% de uma só vez. Daqui para a frente, transporte coletivo deve ter aumento zero no ano. O segundo fator atípico foi a chuva fora dos padrões. Em janeiro, os hortifrutigranjeiros normalmente sobem de preço por causa da chuva mais forte. Mas neste janeiro e fevereiro, a chuva estragou muito a produção, o que se refletiu nos preços - algo que também está sendo sentido em março. O terceiro fator foi o reajuste do IPTU em fevereiro, acima do que vinha ocorrendo em anos anteriores. Tudo isso somado significou uma arrancada muito forte, no IPC Fipe, em janeiro (1,34%) e fevereiro (0,64%). No acumulado, temos 2,09% em dois meses. Pensando em 12 meses, poderia assustar. Mas não é assim. Fazendo a média da variação de março a dezembro de 2009, estamos falando de valores mensais de 0,25% a 0,30%. Com os 2% acumulados, estamos em torno de 4,5% n o ano.

Nas últimas semanas, o mercado futuro de juros elevou substancialmente as expectativas. Com o sr. analisa esse comportamento?

Eles se assustaram com a forte arrancada em janeiro e fevereiro. Há uma certa confusão com os muitos índices que se tomam como parâmetro.

O juro não subiu em março, mas o mercado dá como certa uma alta em abril. O Brasil não vai se livrar de um novo ciclo de elevação do juro básico?

Provavelmente vai subir um pouco, talvez na próxima reunião. Mas temos de ver a ata, para conferir se o BC realmente não se assustou com essas variações do início do ano.

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