#145;Não haverá pacote contra crise #146;, diz Lula - Home - iG" /
Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

#145;Não haverá pacote contra crise#146;, diz Lula

Contrariado com rumores sobre corte de investimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ontem que nunca anunciará pacote de medidas para conter o impacto da crise financeira mundial no Brasil. Mais: disse que o País enfrentará a tormenta global fortalecendo o mercado interno.

Agência Estado |

"Nós não vamos nunca anunciar pacote. Nunca. Porque toda vez que se anunciou pacote nesse país o povo ficou com prejuízo", afirmou o presidente. Lula admitiu, porém, que poderá recorrer a novos medicamentos e deu a receita para a crise.

"Nós vamos anunciar medidas pontuais: dor de barriga é remédio para dor de barriga, calo no pé é remédio para calo no pé, difteria é remédio para combater hepatite", descreveu ele, fazendo confusão entre as doenças. "Ou seja, nós não vamos apresentar uma cesta nunca, porque isso não dá certo."

Lula fez as afirmações ao participar de comício de Luiz Marinho, candidato do PT à prefeitura de São Bernardo do Campo (SP). Depois de falar de política, reservou a parte final do discurso para explicar a turbulência econômica. "Quero que vocês tenham tranqüilidade."

Sob aplausos da platéia, Lula assegurou que o País "não quebrou e nunca vai quebrar" porque o governo fez a "lição de casa" e economizou dinheiro. Disse, no entanto, que muita gente está torcendo para que a crise chegue ao Brasil como se fosse um tsunami. Para ilustrar o comentário, imitou o tom de voz de adversários queixosos.

"Tem gente torcendo assim: Mas será que nada vai acontecer para esse Lula quebrar a cara? ", contou, provocando gargalhadas de militantes. "É uma torcida imbecil, porque a crise não vai vir para mim. Se ela vier, é para o povo brasileiro, quem vai se prejudicar é a sociedade, são as fábricas, a agricultura, o emprego, não o presidente."

Sem esconder a irritação com as estocadas dos rivais, Lula explicou aos militantes que a crise pode chegar mais forte ao Brasil se houver profunda retração nos Estados Unidos e na Europa. "Diminuindo as importações pode haver problemas aqui. (...) Para enfrentar essa crise de crédito vamos fortalecer o mercado interno, gerar mais empregos, mais renda, mais investimentos."

Numa linguagem coloquial, o presidente procurou demonstrar otimismo, embora esteja prevista desaceleração no crescimento do País. No palanque de Marinho, Lula disse que "o Brasil quebrou três vezes" nas crises asiática, russa e mexicana, mas garantiu que hoje é diferente.

Em mais um sinal de que o governo está preocupado com o freio na economia - e a conseqüente queda nas vendas no fim do ano -, o presidente afirmou que os consumidores não devem adiar seus planos de compras. "Ninguém precisa se endividar mais do que pode, mas continuem comprando o que precisam", aconselhou.

"Estou dizendo isso porque esse negócio de crise começa assim: alguém fala uma vez, repete a segunda, a terceira, a quarta, vai criando um certo medo na sociedade, depois vai criando um pânico e aí a sociedade, sem saber por que, deixa de comprar."

No diagnóstico de Lula, a culpa pela tormenta é do sistema financeiro. "Eu não fico me queixando de ninguém, não fico falando que a culpa é do Bush, do Gordon Brown", disse, numa referência ao presidente dos EUA, George W. Bush, e ao primeiro-ministro britânico.

Lembrou, depois, que um banco pequeno de investimento só pode emprestar até dez vezes o valor que tem de patrimônio líquido no Brasil, enquanto nos EUA não há controle. "Já sabemos que tem banco que alavancou 90 vezes." Mais uma vez, Lula traduziu a situação para o dia-a-dia. "É como uma pessoa que só pode comprar uma geladeira e vai lá comprar geladeira, TV, um monte de coisas.

Depois vai acontecer o quê? Não pode pagar, quebra a cara, a loja vem e toma."
Em Brasília, o vice-presidente José Alencar disse que é preciso pressionar o sistema financeiro internacional a dar uma solução para o nervosismo que toma conta da economia mundial. "A crise não é nossa", destacou.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG