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O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que as ações da empresa negociadas em Nova York (ADRs) subiram 15,8% depois do anúncio do marco regulatório do pré-sal, o que sinaliza que esses investidores deverão entrar pesado na capitalização prevista para a companhia. A seguir, a continuação da entrevista.

Falando sobre as regras do pré-sal, alguns investidores criticam a proposta de a Petrobras ser a operadora única e dizem que isso pode não ser interessante para a empresa. A operação única é boa para a Petrobras?

Temos duas concentrações no pré-sal. A Bacia de Santos, que não tem infraestrutura nenhuma, é virgem. E, ao norte da Bacia de Santos, a Bacia de Campos, que está cheia de infraestrutura, quase toda da Petrobras. Onde tem de montar toda a infraestrutura é melhor ter um operador único. E em Campos, você já tem um operador, que é a Petrobras.

É melhor colocar outro ou ficar com quem já está lá? Então a operação única no pré-sal foi uma conquista para a Petrobras? Vocês demandaram isso na comissão interministerial que formulou as regras do pré-sal?

Tem uma vantagem para nós, de conhecimento. Com a operação única você tem mais facilidade de correlacionar campos diferentes, evita erros. Foi uma demanda nossa.

No início dos trabalhos da comissão, parte do governo ensaiou um discurso crítico à Petrobras, pelo fato de a empresa ter a maior parte de seu capital nas mãos de investidores privados. Mas, no fim, a estatal ficou com a operação única, participação em todos os consórcios e ainda será capitalizada. Como foi essa virada?

Foi um amadurecimento da comissão, um ajuste da conjuntura. Todo mundo gosta da Petrobras. Acho que saíram matérias dizendo isso, mas nunca acreditei que fosse realidade.

Então o sr. não precisou brigar na comissão?

Sempre briguei, mas acho que a comissão evoluiu para posições adequadas e corretas, e os quatro projetos são resultado dessa discussão. Acho que ninguém saiu ganhador. Foi um ganho para o País.

O governo tem alguma meta de aumento de participação da União na Petrobras no processo de capitalização da empresa?

Não tem uma meta, porque depende do imponderável, que é a disposição dos acionistas de exercer direito de preferência.

Mas algum aumento de participação da União deve haver, não?

Provavelmente. Mas depende muito de qual vai ser o valor dos 5 bilhões de barris (em reservas, que serão a parte do governo na capitalização). Veja só, as ações (ADRs) da Petrobras no mercado de Nova York subiram 15,8% depois do lançamento do marco regulatório. Outras empresas de petróleo negociadas em Nova York (listadas no índice AmexOil) cresceram só 4,7%.

Então o sr. acha que os investidores externos deverão acompanhar bem a capitalização?

Vão entrar pesado. E os investidores brasileiros também. Depois do anúncio do marco regulatório, o Ibovespa subiu 8,9% e a Petrobras, 11,5%.

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