O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, não usa produtos dos concorrentes Google e Apple. Eu testo esses produtos, mas não uso em meu dia-a-dia, disse ontem o executivo, no escritório da empresa em São Paulo.

"Mais importante, meus filhos não usam. Eles são bons garotos." Ballmer abriu ontem o Tech-Ed Brasil, em São Paulo, evento da Microsoft voltado para desenvolvedores de software. Depois, assinou uma parceria com o governo do Estado de São Paulo. Na segunda-feira, participou de um encontro com executivos do mercado publicitário na capital paulista.

Ao ser perguntado sobre a estratégia da Microsoft para fortalecer sua marca na internet e competir com o Google, Ballmer disse que era melhor perguntar como o Google pretende competir com a Microsoft. "Eles têm um processador de textos muito inferior, um produto de planilhas muito inferior, seu sistema de correio eletrônico - ok, não é ruim -, seu mensageiro Gtalk não é competitivo em recursos e não tem mercado. Eles têm um ótimo serviço de buscas (e eu não deveria dizer isso)", afirmou Ballmer.

O executivo continuou a criticar o concorrente, falando do Chrome, navegador lançado recentemente pelo Google. "O Chrome é um navegador muito medíocre", disse o presidente da Microsoft. "É grande, demora muito para baixar. Ele tem alguns atributos interessantes, mas falta a ele muitos outros que estão no Explorer 8. Temos grandes atributos para privacidade e o Google não tem o foco na privacidade. Nós não dependemos da coleta de informações sobre os consumidores para fazer dinheiro."

Ballmer descartou, mesmo com a queda no preço das ações, retomar o processo de compra do Yahoo. "Não existe uma possibilidade de acordo agora", explicou Ballmer. "Nós tivemos uma conversa séria, colocamos um preço significativo na mesa, não fez sentido para o Yahoo e respeitamos isso. O que descobrimos no processo é que, mesmo se não fizermos uma aquisição, pode fazer sentido uma parceria em buscas. Nós discutimos isso mesmo depois de a proposta de aquisição não dar resultado. Eles escolheram não aceitar. Mas vamos ver agora, com o processo regulatório, se o acordo do Yahoo com o Google não for para frente, talvez faça sentido retomar as discussões."

O executivo afirmou que a compra do Yahoo não era essencial para a estratégia de internet da empresa. "A compra era tática", apontou o executivo. "O Yahoo não tem uma posição vencedora em busca e nós não temos também. A compra do Yahoo era um meio de conseguir massa crítica. Assim como nas páginas amarelas, os anúncios na busca são parte do conteúdo, e porque o Google tem mais anunciantes do que nós e o Yahoo, tem mais anúncios relevantes. Comprando o Yahoo, teríamos massa crítica para ter anúncios tão relevantes quanto o Google."

Ballmer admitiu que a empresa e o setor de tecnologia estão sofrendo e vão sofrer impactos da crise, mas preferiu não arriscar a extensão ou a duração desse impacto: "Cinqüenta por cento dos gastos de capital das empresas são destinados à tecnologia da informação. É claro que os gastos de capital vão cair de alguma forma, pois é mais difícil conseguir capital hoje. Muitos vão fazer previsões sobre os impactos, mas não acho que alguém realmente saiba, até que conheçamos quão efetivas são as medidas tomadas pelos governos".

Apesar da crise, o executivo está otimista com o Brasil. "Estou impressionado com o desenvolvimento do mercado", disse. "Independentemente do que acontece na economia, ainda vemos desenvolvimentos fortes em tecnologia no Brasil. O País está entre os seis maiores mercados de PCs do mundo e, em alguns anos, estará entre os quatro maiores." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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