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#145;FMI deveria ter US$ 3 trilhões#146;

Prêmio Nobel de Economia de 2001, junto com o crítico da globalização Joseph Stiglitz e George Arkelof, o americano Michael Spence participou de um grupo de 20 economistas que elaborou um documento de sugestões aos líderes do G-20, numa tentativa de influenciar as decisões que acabam de ser tomadas ao fim do encontro de Cúpula dos chefes de Estado neste fim de semana em Washington. Em entrevista ao Estado por telefone, antes da conclusão da cúpula, Spence defendeu uma vigorosa ajuda financeira aos países emergentes, que, para ele, estão sofrendo com o corte súbito do crédito causado por razões que nada têm a ver com o fundamento de suas economias.

Agência Estado |

Ele está relativamente otimista quanto ao Brasil e sugeriu um aumento da munição do Fundo Monetário Internacional (FMI) para até US$ 3 trilhões, que poderiam ser alcançados com o uso das reservas de China, Japão e países do Golfo.

Coordenador do relatório final da Comissão do Crescimento, um documento sobre desenvolvimento elaborado durante dois anos por diversos especialistas e divulgado em maio de 2008, Spence acha que a atual crise mostra que uma ênfase maior deve ser dada à manutenção da estabilidade econômica e financeira. Mas ele é cético quanto a uma reforma da arquitetura financeira internacional a curto prazo, pois as causas da atual crise ainda não foram entendidas. Spence virá ao Rio nesta semana para o encontro da Associação Latino-americana e Caribenha de Economia e da sessão brasileira da Sociedade Econométrica Internacional (Lacea-Lames). A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual deve ser a prioridade das autoridades econômicas mundiais neste momento?

O mais importante, agora, é focar na crise financeira e econômica. O fato básico e simples é que os capitais estão saindo dos países em desenvolvimento, por causa dos balanços danificados nos Estados Unidos e na Europa. Não tem nada a ver com a situação econômica nos emergentes. Esses fluxos de capital têm de ser revertidos. Se o FMI tivesse ativos suficientes para apoiar aqueles países, poderia fazer. Mas não tem. Então, é preciso esquemas como o de swap (troca) de dólares do Fed (Federal Reserve, banco central americano).

O sr. acredita num novo papel para o FMI, na esteira desta crise?

Quando as pessoas falam de um novo papel do FMI, elas querem dizer uma entidade que tenha as funções atuais do FMI. Se o FMI pode ser reformado para representar esse novo papel, é uma outra questão. Mas o ponto sobre o qual todos concordam é a necessidade de uma entidade que tenha ativos substanciais ou uma capacidade substancial de acessar ativos, com autoridade e legitimidade para agir no contexto de uma crise. Esses ativos têm de ser muito maiores do que os US$ 250 bilhões do FMI. Um total de US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões parece adequado.

De onde poderiam vir os recursos deste FMI ampliado?

Os grandes detentores de reservas internacionais hoje são a China, o Japão e os países do Golfo. É preciso encontrar uma forma de os detentores destes grandes acúmulos de reservas as utilizem para estabilizar o sistema como um todo.

O sr. tem parecido cético em relação a uma reforma a curto prazo da arquitetura financeira internacional.

Pense bem: as mais sofisticadas instituições financeiras do mundo, repletas de algumas das pessoas mais inteligentes do mundo, conseguiram criar uma situação na qual havia tanto risco sistêmico que, quando a coisa estourou, cada uma daquelas instituições, praticamente sem exceção, estava danificada ao ponto de não poder atuar nem mesmo como intermediária no sistema de crédito e de pagamentos. Enquanto não sentarmos e pensarmos arduamente sobre isso, não podemos nem ao menos obter uma explicação coerente sobre o que aconteceu. Deveríamos admitir que não temos um conhecimento perfeito e colocar em marcha um processo planejado para tornar o sistema mais estável e seguro para todo mundo ao longo do tempo. Isso pode requerer mudanças freqüentes, à medida que descubramos coisas novas.

Como o sr. vê a situação do Brasil nesta crise?

As grandes economias em desenvolvimento bem administradas, como o Brasil, se sairão desta crise razoavelmente bem. Quer dizer, ninguém vai escapar, e é preciso ficar muito alerta para reagir adequadamente, e evitar danos maiores do que o inevitável. Mas acho que o Brasil está numa boa situação para fazer isso.

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