O presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, criticou a falta de empenho dos governos federal, estadual e municipal para reduzir os gastos públicos diante da piora da crise mundial. Segundo o empresário, cuja empresa é líder na produção de aços especiais para a indústria automobilística, até agora não houve nenhuma atitude séria para aumentar o índice de poupança interna e reduzir custos de forma suficiente para garantir a continuidade do processo de investimentos no País.

"Não consigo entender o fato de hoje as empresas estarem fazendo um esforço enorme para manter empregos enquanto o setor público continua com uma estrutura e mentalidade como se crise não existisse", afirmou Gerdau, durante o seminário "Atitudes positivas para enfrentar a crise", promovido ontem pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na capital paulista.

Diante de uma platéia de empresários, executivos e políticos, Gerdau destacou que não é admissível que os responsáveis por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) - leia-se o setor público - façam de conta que o problema é apenas dos outros 60% - da iniciativa privada. "Para vencer essa crise, é preciso uma gestão eficiente, capaz de maximizar investimentos."

O empresário afirmou que neste momento é muito difícil prever até quando vai durar a crise e o principal desafio é se adequar à nova realidade. Na avaliação dele, o grande problema do setor siderúrgico hoje é a falta de perspectiva em relação à demanda mundial. Por isso, a empresa quer evitar a realização de investimentos sem que exista demanda equivalente.

Para os próximos 90 dias, ele diz que a prioridade é preservar a liquidez e reduzir custos. "Estamos desacelerando projetos de dois ou três anos e concluindo rapidamente os que estão em execução."

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