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O professor da FGV-SP e ex-diretor do Banco Central (BC) Alkimar Moura avalia que o sucesso do plano de Obama para salvar o sistema financeiro depende de os investidores comprarem a ideia. Ele acredita ainda ser possível que o programa necessite de apoio do Congresso para eventualmente flexibilizar limites de empréstimos às agências envolvidas.

Qual sua avaliação sobre o plano?

É, até agora, a tentativa mais objetiva de oferecer uma resposta da administração Obama às demandas por um programa mais bem definido de resolução da questão dos chamados ativos tóxicos. É um passo adiante e, nesse sentido, melhor do que a situação anterior de paralisia decisória, que somente iria contribuir para piorar a situação no mercado de crédito americano.

Quais pontos são chave para que tenha sucesso?

O programa é de parceira público-privada e seu sucesso depende do grau de adesão que receber dos investidores privados dispostos a aplicar na aquisição de empréstimos de baixa qualidade, na expectativa de que tais ativos se valorizem se o programa for bem-sucedido. Além disso, apoio político é importante, pois eventualmente o programa poderá necessitar de autorizações do Congresso para flexibilização de limites de empréstimos das agências envolvidas na operação. Em terceiro lugar, o programa terá de ter gestão eficiente. De fato, o modelo de parceria público-privada permite que o governo estimule o setor privado a participar com dois ingredientes importantes para seu sucesso: capital e capacidade gerencial.

O que falta de concreto?

Conhecemos apenas as linhas gerais. Por exemplo, o Tesouro quer colocar até US$ 100 bilhões nos dois programas (o de compra de empréstimos e o de aquisição de títulos) em base de 50/50 entre capital público e capital privado. Muitos detalhes, que poderão definir o sucesso, ainda são desconhecidos: a taxa de juros e o prazo dos financiamentos a serem concedidos pelo FDIC, as garantias exigidas e assim por diante.

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