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Para o economista-chefe do Santander e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, a decisão do Copom confirmou o consenso do mercado sobre a redução dos juros. O interessante na nota do comitê desta vez é que baixaram o tom.

É sinal que querem ver como o mercado evolui.

Era a decisão esperada?

O Copom confirmou o consenso de mercado que nas últimas semanas se movia para isto. O interessante na nota do comitê desta vez é que baixaram o tom. É sinal que querem ver como o mercado evolui. Na reunião anterior a decisão foi além do esperado e não houve unanimidade. Na ocasião, a nota serviu para dar uma acalmada. Agora dizem que vão levar em conta a evolução da redução dos juros no cenário.

Haverá efeito no curto prazo?

Do ponto de vista do mercado quase zero. O que pode haver é uma alta da demanda por crédito. Como cai o rendimento no fundo DI, a opção é que quem tem dinheiro gaste um pouco mais, abrindo mão da poupança e indo para o consumo.

O que poderia alterar o movimento de baixa da Selic?

É razoável esperar que ainda haja um novo corte. Mas o próprio Copom não quer se comprometer quanto a magnitude. Pela nota ele deve continuar cortando. Mas primeiro tem de avaliar os efeitos do que vem fazendo. O que poderia influenciar a interrupção da trajetória de baixa seria a alta da inflação. Neste mês a previsão é que ela fique entre 0,34% e 0,35%. Se chegasse a 0,5% poderia ser alarmante, mas é pouco provável. Além disso, o BC poderia se preocupar com a recuperação da produção industrial, algo também improvável. Poderia influenciar ainda uma alta do dólar, caso a moeda americana chegasse a R$ 2,60 no curto prazo. Isto levaria a um repasse para o preço, mas a chance de um aumento acontecer agora é muito pequena.

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