A superintendente da rede varejista Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, tem algumas certezas sobre a crise global. A primeira é que os economistas não sabem sua extensão e velocidade.

A outra é que crise é sinônimo de oportunidade. "O medo deve ser transformado em estratégia para sair da situação." E aí, disse, "é hora de investir e pegar o cliente dos outros".

Com esse espírito guerreiro, a empresária arrancou aplausos dos seus pares, reunidos ontem em seminário organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap). A crise pegou o Magazine Luiza em plena expansão, com a inauguração de 44 lojas em São Paulo num único dia. Era um projeto ambicionado há muito tempo pela empresa. "Quando vi o tamanho do estrago, pensei: só me resta rezar!", brincou ela.

Mas Luiza fez mais. Na televisão corporativa mantida pela empresa e transmitida em 464 locais, entre lojas, escritórios e pontos de distribuição, falou abertamente com os funcionários. "Expliquei da forma mais simples o que entendíamos que estava acontecendo e avisamos que não haveria demissões, se as metas fossem cumpridas."

A rede, diz ela, preservou a meta original e, ainda este mês, completa a inauguração das 50 lojas previstas inicialmente. "Período em que contratamos mais 200 pessoas", acrescentou. Em 40 dias, as lojas recém-inauguradas venderam R$ 75 milhões.

Na última semana, para contornar a falta de compradores, a empresária acionou a promoção "Cliente Ouro": convidou os fiéis e bons pagadores da rede a fazer compras com descontos especiais. A iniciativa rendeu R$ 7 milhões em cinco horas.

O tema escolhido para pautar o evento, "Atitudes positivas para enfrentar a crise", convidava os participantes a afastar qualquer clima de baixo-astral ante as dificuldades com a falta de liquidez e de crédito, que travam a economia real. Nesse ambiente, o declarado otimismo de Luiza foi muito bem recebido.

No mesmo espírito de espantar o clima de crise, o presidente da Nestlé, Ivan Zurita, anunciou que a multinacional tem planos ambiciosos para o Brasil. Entre eles, a compra de duas empresas. Uma delas, na área de alimentação, deverá ser anunciada em breve, talvez antes de 15 de dezembro. Os investimentos para 2009 também estão mantidos. "Não podemos dormir e acordar dizendo que estamos em crise", disse ele, que, no entanto, reconhece ser fundamental manter a liquidez do sistema.

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