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#145;Crescimento já não era sustentável antes da crise#146;

Armando Castelar, que já integrou o quadro de economistas do Ipea e do BNDES, hoje está na Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Para ele, o crescimento do PIB no terceiro trimestre não seria sustentável mesmo antes da crise.

Agência Estado |

A forte influência da demanda e a dependência de importações poderiam levar a uma crise cambial. Castelar prevê para 2009 desaceleração, mas acha improvável uma recessão.

É o último crescimento forte desse governo?

Depende muito da intensidade da crise externa e da política econômica. É importante notar que esse crescimento vinha num patamar acima do que o Brasil poderia sustentar num período mais longo. O PIB cresceu 6,3% na comparação dos quatro trimestres contra os quatro anteriores, mas a demanda doméstica cresceu 9,3% e o setor externo teve impacto negativo de 2,9%. Isso significa que a demanda doméstica vinha crescendo muito mais do que era sustentável pela capacidade de produção. As exportações praticamente não cresceram, enquanto as importações cresceram num nível vigoroso. Esse patamar já não era sustentável. Independente da crise, havia necessidade de desacelerar o ritmo.

A desaceleração era inevitável?

Era isso que o Banco Central já vinha buscando, através dos juros, justamente porque a demanda doméstica vinha muito forte. Essa demanda vinha sendo atendida pela oferta externa, via importações. A crise externa complicou o crédito e tornou o financiamento do déficit externo mais difícil. Atualmente, está muito difícil financiar qualquer déficit, as empresas estão tendo dificuldade de rolar dívidas que já existiam lá fora e não estão conseguindo emitir novas dívidas. O fato de a Petrobrás, a empresa brasileira com maior facilidade de se financiar no exterior, ter recorrido à Caixa é um bom exemplo disso. A dinâmica de crescimento do terceiro trimestre iria levar a um aumento muito rápido do déficit em conta corrente e eventualmente uma crise cambial.

O Brasil terá recessão?

Acho que não vamos viver o drama dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, que tiveram queda significativa do PIB no terceiro trimestre. A tendência é que tenhamos uma desacelerada. É muito difícil, a partir da velocidade que economia alcançou no terceiro trimestre, que se tenha queda do crescimento do PIB em 2009. Ninguém estava trabalhando com esse cenário e agora menos ainda. Acho que as previsões para 2009 vão ser revistas para cima. Agora, o que teremos é uma desaceleração bastante forte; 2009 terá um crescimento bem mais baixo do de 2008. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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