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#145;Corremos o risco de convulsão social#146;

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o mundo está sob ameaça de convulsão social por causa da crise. Em discurso na abertura da 36ª Couromoda, o presidente disse que vai cobrar na próxima reunião do G-20 em Londres, em abril, regras mais severas para o sistema financeiro.

Agência Estado |

"Todos os países que estão diretamente envolvidos nessa crise sabem que ela não pode perdurar muito tempo. Com a consequência do desemprego, que vai acontecer exatamente nesses países, nós corremos o risco de uma convulsão social", discursou Lula.

O presidente ressaltou que o Brasil é "vítima" da situação e disse esperar que os líderes mundiais se convençam de que é necessário um acompanhamento mais rigoroso dos mercados, "porque teve muita gente que ganhou muito dinheiro sem produzir um prego para colocar no sapato, apenas com a especulação". "O mundo não pode continuar assim."

Em discurso bem-humorado, Lula até brincou com a delicada situação do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. "O presidente Obama está com um pepino muito grande", disse, arrancando risos da plateia. "Nós sabemos, e ele também, que não pode perder tempo para tomar as medidas para resolver a crise."

Recém-chegado das férias de dez dias pelo litoral do Nordeste, o presidente defendeu uma atuação mais forte do Estado na crise mundial. "Agora é a hora de o Estado provar que, sem querer sem gestor, o mercado é muito importante, mas o Estado forte é importante para o Brasil e qualquer país do mundo". Em mais uma metáfora futebolística, explicou por que considera este um momento estratégico para o País. "O Brasil precisa se preparar, porque, quando essa crise acabar, quem estiver mais preparado leva o jogo."

Numa reedição dos discursos de 2008, o presidente voltou a dizer que está otimista. "Temos as nossas contas públicas e a inflação equilibradas, um mercado interno com potencial extraordinário, um povo ávido a consumir, temos matéria-prima, ou seja, temos um país muito mais arrumado do que qualquer outro nesse instante para enfrentar a crise."

Em tom de brincadeira, acrescentou: "Sei que tem gente que não gosta desse meu otimismo. Mas sou corintiano, católico, brasileiro e ainda presidente do País. É razão de sobra para ser otimista".As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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