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#145;China deve ser a grande vencedora#146;

A bolsa e as empresas exportadoras chinesas têm sido bastante castigadas pelos problemas econômicos mundiais, mas, no longo prazo, a China pode surgir como a grande vencedora da crise. Essa é a opinião de Zhiwu Chen, professor de Finanças da Faculdade de Administração de Yale, em New Haven (EUA), que participa, até sexta-feira, em São Paulo, da Semana de Yale no Brasil.

Agência Estado |

Segundo o professor, a crise deve forçar o governo chinês a fazer reformas para incentivar o mercado doméstico, usando o superávit fiscal e as estatais para desenvolver projetos industriais e de infra-estrutura. Para Chen, o Brasil está em boa posição para se beneficiar da situação como grande fornecedor de matérias-primas para a China. A seguir, trechos da entrevista, feita por telefone, na semana passada.

Qual é a sua opinião sobre a situação atual da crise?

Sei que o mercado brasileiro foi atingido, ao lado de mercados latino-americanos, europeus e asiáticos. Agora os esforços de ministros das Finanças e bancos centrais de diferentes países vão trazer alguma estabilidade, pelo menos de curto prazo, aos mercados. Apesar disso, não vamos ver um fim de toda crise em pelo menos um ano. O impacto na economia real vai levar algum tempo para passar.

Então, somente daqui um ano podemos esperar alguma recuperação?

Vai ser gradual. Mas nos próximos seis meses, pelo menos, veremos mais números macroeconômicos piorando e, então, atingiremos o fundo. Nós chegamos ao pior da crise? Acho que a crise dos mercados financeiros - por diferentes mercados, como bolsas, bancos e hipotecas - pode estar em seu pior momento. Em termos da crise econômica, ainda não chegamos ao pior momento.

Qual é o impacto na China?

No longo prazo, se olharmos para daqui dois anos ou mais, a China talvez seja a única grande economia a sair como vencedora da crise. É claro que o impacto de curto prazo no crescimento doméstico e econômico será significativo. O aumento das exportações vai cair bastante nos próximos seis meses a um ano e, como resultado, muitas empresas chinesas serão fechadas. Mas esse tipo de impacto vai forçar o governo chinês a fazer reformas de longo prazo bastante positivas. É por isso que eu digo que, no longo prazo, se olharmos o resultado das reformas que os chineses terão que fazer para tornar o crescimento mais dependente do consumo doméstico, e menos nas exportações, será muito bom. Essa crise só está dando ao governo chinês a pressão certa para fazer as reformas.

O que acontecerá com o crescimento econômico?

O crescimento do PIB da China no próximo ano deve cair para cerca de 8%. No contexto chinês, isso é considerado muito negativo. Mas, ao mesmo tempo, o preço do petróleo e dos metais industriais, como minério de ferro, foi cortado pela metade ou mais nos últimos meses. Acho que essas mudanças nos preços das commodities são boas para a China.

Para o Brasil, não é uma boa situação, porque o Brasil exporta várias commodities para a China e outros países.

Sim. Mas, ao mesmo tempo, se a China mantiver uma taxa de 8% ou mais de crescimento, com mais projetos industriais e de infra-estrutura, que eu espero que se acelerem de novo, a demanda por aço, minério de ferro e outros materiais vai crescer. Para a China, o Brasil é um parceiro comercial importante. Nos primeiros seis meses deste ano, as exportações brasileiras para a China cresceram 86%. Foi o segundo maior crescimento entre os grandes parceiros. O único país que teve um crescimento maior foi Angola.

O que deve acontecer com os mercados financeiros chineses?

O mercado acionário chinês caiu pela metade ou mais da metade. Mas o sistema financeiro chinês é dominado por bancos estatais. Esses bancos estatais não estão passando por nenhum problema financeiro. Então, eles estão, de certa forma, intactos. É por isso que eu acho que, diante da crise econômica mundial, a China não sofrerá muito. Ao mesmo tempo, a China tem US$ 2 trilhões em reservas cambiais e está em posição muito boa para ajudar outros países a se recuperarem do impacto da crise. Mais da metade das reservas cambiais chinesas estão investidas em títulos do Tesouro americano e em papéis de hipoteca garantidos pelo governo dos Estados Unidos. A China fez algum dinheiro com esse investimento porque houve uma fuga para qualidade que aumentou mais e mais os preços desses papéis.

O que deve acontecer com outros países emergentes?

A Índia deve sofrer com a crise financeira. A China vai sofrer no curto prazo, mas não no longo. A principal razão é que o governo chinês tem um grande superávit fiscal, de mais de 1,2 trilhão de yuans (US$ 175 bilhões) no primeiro semestre deste ano. O governo da Índia vem enfrentando um grande déficit. O espaço para mudança de políticas é muito limitado na Índia. A China está na situação oposta. A segunda razão é que a Índia não tem muitos ativos ou corporações estatais. A economia chinesa ainda é dominada por estatais. Essa situação oferece ao governo chinês muita flexibilidade para criar novos projetos de infra-estrutura e industriais ou, ainda, para oferecer redução de impostos para famílias de baixa e média rendas. O governo chinês pode fazer isso com o superávit fiscal, com as empresas estatais e com os lucros das estatais, enquanto a Índia não tem nenhum desses instrumentos ou flexibilidade. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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