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#145;Brasil proporá aliança a Obama#146;

O Brasil vai oferecer parcerias e colaboração bilateral ao presidente eleito americano, Barack Obama. De acordo com o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger - que teve uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira só para tratar das eleições americanas -, o governo brasileiro tem a oferecer aos EUA parcerias em pelo menos três áreas: energia, finanças e educação.

Agência Estado |

Como hoje há uma disputa com os EUA em torno do etanol, o Brasil pretende deixar esse assunto de lado para buscar alianças em questões futuras, como energia solar e proveniente da biomassa. No setor financeiro, a idéia é colaborar para evitar novas crises como a atual, provocada, entre outros motivos, pela absoluta desregulação dos bancos de investimentos. Na educação, as parcerias visam à criação de mecanismos que melhorem a qualidade do ensino médio nos dois países.

O sr. conversou com o presidente Lula sobre as eleições americanas. O que o Brasil espera?

No curto prazo estamos divididos pela disputa a respeito do etanol, que nos EUA é ineficiente porque feito de milho, e o etanol relativamente mais eficiente produzido a partir da cana-de-açúcar. Não vamos resolver isso de imediato. Mas temos interesse comum de construir alternativas de energia renovável para o futuro. A longo prazo, a solução é a mobilização direta da energia solar, mas não a base científica e tecnológica suficiente para isso. E por isso, o mais importante é a mobilização indireta da energia solar por meio da biomassa. EUA e Brasil têm interesse em organizar o mercado mundial de agrocombustíveis e em desenvolver os instrumentos científicos e tecnológicos para a evolução dos agrocombustíveis.

Hoje o mundo vive uma grande crise financeira. Há possibilidade de parceria entre os dois países para resolvê-la?

Temos de tratar da mobilização de crédito, tecnologia e conhecimento para as pequenas e médias empresas, que são a maior força da economia dos EUA e do Brasil. Esse tema está ligado à relação entre o sistema financeiro e produtivo, agora no topo da agenda, por causa da crise. A discussão sobre a crise privilegia duas idéias: a de regular, ou re-regular os mercados financeiros, ou fazer surgir o keynesianismo vulgar, que é a política monetária e fiscal expansionista. Há uma terceira idéia mais importante: mexer nas instituições que definem a relação entre o sistema financeiro e o produtivo. Em economias de mercado, o sistema produtivo se autofinancia. Mais de 80% do financiamento da produção nas empresas se baseia nos lucros retidos.

Para que serve todo aquele dinheiro, que é a expressão da poupança da sociedade, reunido em bancos e bolsas?

Teoricamente, para financiar a produção. Mas a maior parte sustenta uma troca interna de posições, que tem pouca relação com o a produção. Então, o sistema financeiro não ajuda a produção e explode, ameaçando a economia real.

O que interessa Brasil e EUA nessa área?

Temos de reorganizar essa relação, para que inovações institucionais coloquem mais capital acumulado pela sociedade a serviço da produção e dos empreendimentos emergentes. Isso seria um mecanismo para aproveitar a crise financeira como um estímulo para a reconstrução democratizadora da economia de mercados.

O que mais o Brasil poderá oferecer aos EUA?

Na educação, há duas iniciativas que estamos tentando construir no Brasil, que poderiam servir de ponte para a colaboração com os EUA. Um novo modelo de escola média, o high school americano, o ensino pré-universitário, que combinaria um ensino geral, porém de orientação analítica e capacitadora, com o ensino técnico de tipo novo. Outro tema é como reconciliar em países grandes, desiguais e federativo, como os EUA e o Brasil, a gestão das escolas de estados e municípios com padrões nacionais de investimento e qualidade? É necessário um sistema de avaliação (que já temos) e meios para distribuir recursos (que estamos começando a ter). Proporíamos alternativas de maneira binacional e também faríamos projetos em conjunto.

Hoje Brasil e EUA não têm disputas comerciais e em outras áreas que poderiam inviabilizar as parcerias?

Aquelas coisas que nos dividem ficariam mais suscetíveis de solução se nós construíssemos uma solução a base de parcerias. E qual é o problema disse tudo? Não são os EUA, mas o Brasil. A questão é saber se no Brasil há audácia e imaginação suficientes para tomar iniciativas deste tipo.

E temos essa imaginação?

O presidente Lula fica muito entusiasmado com isso. Mas não sei. Além do presidente e eu, há a estrutura do Estado, diplomacia, administração. Aí, temos de consultá-las para saber se podemos persuadi-las. A minha intuição, franca e pouco diplomática, é que será mais fácil persuadir nossos parceiros americanos do que nossos colegas brasileiros.

O que o leva a crer que os EUA aceitarão ofertas de parceria?

A mentalidade no Brasil está mudando de forma dramática e temos uma oportunidade muito grande. Nossa tradição diplomática é ver as relações com os EUA sob o prisma míope das pequenas contendas comerciais. Tradicionalmente, muita gente no Brasil preferia a eleição dos republicanos porque os democratas são mais protecionistas. É claro que são mais protecionistas, porque representam os trabalhadores. Mas é um absurdo ver a relação com os EUA só sob esse ângulo, porque a preocupação tarifária é minúscula no cômputo geral das coisas.

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