#145;BC pode ter de postergar meta durante um período #146; - Home - iG" /
Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

#145;BC pode ter de postergar meta durante um período#146;

O ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna, avalia que há risco de desaceleração de média para grande intensidade da economia brasileira. Por isso, acredita que o BC provavelmente terá de baixar o juro no ano que vem.

Agência Estado |

Como avalia a decisão do Copom?

É uma decisão corretíssima. A reunião poderia até ter durado menos porque não havia muita coisa para debater. A crise externa tem efeitos fortemente contracionistas sobre a economia brasileira. As condições no ano que vem serão certamente diferentes do que aquelas que imaginávamos antes da crise.

Não seria o caso, então, de o Copom reduzir o juro?

Um dos fatores que pesaram para que o Copom não tenha feito isso são os dados econômicos disponíveis, que ainda mostram uma demanda aquecida. As vendas continuam com um desempenho muito bom, assim como o mercado de trabalho. A oferta de crédito, especialmente para pessoas físicas, ainda se mantém em ritmo adequado. O efeito contracionista a que me refiro é esperado lá para a frente. A intensidade dessa desaceleração é uma incógnita. Portanto, a melhor decisão é interromper o processo de alta.

O cenário, hoje, está mais para uma desaceleração de intensidade pequena, média ou grande?

Diria que é de média para grande. O crescimento do PIB deve ir para perto de 3%. São muitos os canais de desaceleração.

Então isso deve significar, lá na frente, um processo de afrouxamento monetário?

É possível que sim. Curiosamente, durante um certo período, dá para conceber uma situação em que o afrouxamento monetário tem início diante de pressões inflacionárias que se acentuam. Mas, paciência. O que o BC terá de fazer é se conscientizar de que a decisão mais correta é postergar o cumprimento da meta de inflação. Alguns argumentam que isso jogará por terra a credibilidade do BC. Prefiro ver de outra maneira. O Banco Central do Brasil construiu sua credibilidade durante um longo período. E credibilidade a gente constrói para usá-la quando necessário.

Extrapolando um pouco a idéia, significa que é melhor não cumprir a meta de inflação do que jogar o País em uma recessão?

Isso. Ou de provocar uma desaceleração econômica muito mais forte que a necessária.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG