A CaixaPar, banco de investimentos que será criado pela Caixa Econômica Federal para comprar participação acionária em empresas de construção civil, terá inicialmente entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões. Em entrevista à Agência Estado concedida logo após a divulgação da Medida Provisória (MP) 433 , a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, disse que a instituição poderá até comprar pequenos bancos, mas que o foco nessas aquisições serão os setores de habitação e de saneamento.

Maria Fernanda disse ainda que as aquisições serão uma oportunidade de negócio para a Caixa. "O que estamos aproveitando é uma oportunidade de negócio. Estamos nos antecipando em relação a qualquer problema que pode acontecer", disse. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual o papel da Caixa com essas novas medidas?

Nós temos grandes planos futuros. Vamos ter o plano nacional de habitação e temos toda a política nacional de saneamento que precisa ser implementada. A CaixaPar vem para responder à necessidade dessa demanda futura. Amplia o leque de oportunidades e resolve algumas questões de governança que são importantes para poder continuar atuando bem nesse segmento.

Mas a MP foi feita para atender a um problema de curto prazo.

Há uma questão de curto prazo, de liquidez. Estamos ampliando essa oportunidade de os bancos públicos também poderem comprar. Mas essa é uma discussão que a Caixa já faz desde o seu planejamento estratégico, lá atrás, em 2004.

No curto prazo, qual é a estratégia da Caixa?

No curto prazo, estamos comprando as carteiras. Agora, ficamos também com a oportunidade de fazer negociações em relação a bancos, pequenos bancos que queiram porventura nos procurar. Também abrimos esse leque. Para a construção civil, a criação da CaixaPar abre a possibilidade de termos participações em alguns empreendimentos e em algumas construtoras.

O socorro às construtoras é o foco da medida?

O foco para a Caixa é sempre saneamento e habitação. Sem dúvida que o segmento da construção civil tem um peso muito relevante.

Qual o funding que a Caixa vai usar?

A poupança. Esse é um funding. Podemos trabalhar com o FGTS. Esses dois, seguramente, já poderemos fazer alocação de recursos. No caso da habitação, nos temos um funding disponível que é o da poupança. Já temos os recursos. Batemos a meta de captação de recursos em poupança. Esse é o funding principal com que pretendemos trabalhar.

Há um problema de solvência dessas construtoras?

Não. Não temos nenhum problema. É bom que se diga. O mercado vem funcionando. Ele está operando. É muito mais uma ação preventiva do governo.

A MP não passou uma mensagem para o mercado de que há problemas mais sérios de solvência?

Não acho que a MP passou essa mensagem. Temos uma situação tanto na Caixa como no Banco do Brasil de liquidez. Na realidade, o que temos é uma oportunidade. Se temos uma situação de liquidez, se o governo não precisa capitalizar a instituição para que ofereça uma nova linha de crédito, o que estamos aproveitando é uma oportunidade que foi colocada. Num momento como esse o que existe é uma insegurança no setor. Uma medida como essa provoca mais estabilidade e segurança.

Qual a transparência que a Caixa vai dar às operações da CaixaPar?

Aí é ação de mercado. Trabalharemos com preço de mercado. Será uma atuação de uma empresa legalmente constituída, que vai ter toda a sua governança muito claramente estabelecida. Trabalharemos com regras de mercado.

Serão necessárias medidas adicionais?

Essas são medidas já muito positivas. O governo está muito atento, muito alerta e cuidadoso. Se houver necessidade, sim. Mas eu diria que, neste momento, essas medidas respondem às necessidades.

O governo terá que fazer no futuro um aporte para a Caixa?

De forma nenhuma. A Caixa tem liquidez. Nós já batemos a nossa meta de captação. Aumentamos a nossa participação em fundos de investimento, a meta de poupança do ano, de R$ 8,5 bilhões, já batemos. Pelo contrário, os bancos públicos estão bastante líquidos.

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