O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em Madri, que o ajuste do dólar fará bem para a economia brasileira. Com a crise internacional tendo levado o dólar de R$ 1,56 para R$ 2,32 em dois meses, uma fonte do governo afirmou que 200 empresas tiveram prejuízos com operações financeiras que previam ganhos com a moeda americana mais barata.

Há até quem diga que o estouro da bolha cambial seja uma espécie de subprime brasileiro.

"O dólar vai achar seu ponto de equilíbrio conforme a economia encontrar seu ponto certo. Essa é a vantagem de um cambio flexível", disse. Ele admite que a subida do dólar "foi positiva" para a economia de um modo geral, principalmente para as exportações. O presidente lembrou da época em que era oposição e pedia que o dólar ficasse num patamar específico. "Isso eu sei que não dá mais."

Mesmo com a crise já tendo afetado a oferta de crédito para os exportadores no Brasil, Lula disse que estão mantidas as previsões de exportações de mais de US$ 200 bilhões neste ano.

Ele destacou que o aumento das importações não deve ser considerado um problema. "Estamos importando máquinas. Isso significa que estamos comprando para produzir mais." Nos últimos meses, o superávit comercial do Brasil vem caindo e a Organização Mundial do Comércio (OMC) já estima que será difícil sua manutenção se os preços das commodities tiver queda acentuada.

Lula afirmou que está na hora de os países emergentes pararem de usar o dólar como forma de garantir o intercâmbio entre suas economias. "Por que Brasil e Índia precisam usar o dólar? Por que não podemos converter nossas moedas diretamente? Vamos começar a discutir essa possibilidade com vários governos", disse.

Ele lembrou que Brasil e Argentina abriram a possibilidade para que empresas usem as moedas dos dois países nas trocas comerciais. "Levamos mais de um ano para chegar a isso. Agora vamos começar a discutir a possibilidade de levar isso também ao resto do Mercosul, primeiro. Depois, para toda a América do Sul."

Lula admite que será "difícil". "Mas nosso Banco Central vai ter de ser usado para ajudar nesse sentido." Na segunda-feira, o presidente recebeu o prêmio Dom Quixote na cidade espanhola de Toledo e ontem foi para Nova Délhi. Ainda nesta semana, visita Moçambique. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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