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Responsável pela área de finanças da General Motors nos Estados Unidos, Fritz Henderson, que presidiu a filial brasileira da empresa de 1997 a 2000, enfrenta hoje a mais difícil tarefa em seus 25 anos de companhia. Ele comanda a equipe que prepara o plano que tem por objetivo tirar a GM da sua maior crise em 100 anos de existência.

Em fevereiro, a empresa terá de apresentar uma prévia do projeto ao governo, para justificar o socorro financeiro de US$ 13,4 bilhões aprovado no fim do ano passado. Henderson não adianta detalhes do plano, mas, em entrevista ao Estado, diz que sua experiência no Brasil o tornou mais flexível para enfrentar crises e que o Brasil também faz parte do plano global de salvamento do grupo. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Quantas horas por dia o senhor está trabalhando?

Nos últimos seis meses, normalmente trabalho 13, 14 horas, e aos finais de semana não vou para o escritório, mas trabalho em casa todo o tempo.

A GM está perto de concluir o plano com uma solução para a crise da companhia?
Estamos trabalhando nisso. Ainda temos algumas discussões com os sindicatos e com investidores. Estamos superando desafios.

Quando o plano será concluído?

Na sexta-feira vamos receber a segunda parcela da ajuda financeira, de US$ 5,4 bilhões. Em dezembro recebemos US$ 4 bilhões e, no fim de fevereiro, vamos receber mais US$ 4 bilhões. Nessa data, teremos de apresentar uma prévia do plano e depois temos até o fim de março para conclui-lo.

Quais as medidas mais importantes desse plano?

Não posso dar detalhes. Temos de desenvolver um plano global, não só para os EUA, mas um plano global para a GM.

O Brasil está incluído nesse plano?

Sim. Temos de apresentar uma previsão dos nossos resultados globais e o Brasil é parte importante das operações.

Este é o período mais difícil que o senhor já vivenciou na empresa?

Durante minha carreira, sim.

O senhor acredita que a GM vai conseguir evitar a falência?

Sim.

De que forma?

Vamos ver.

Sempre foi dito que o senhor, o Rick Wagoner (presidente do grupo) e o Ray Young (vice-presidente de finanças), que já presidiram a GM do Brasil, foram convocados pela matriz porque adquiriram experiências em lidar com crises. Como a sua passagem pelo Brasil está ajudando nesse momento?

Na crise, temos de ficar calmos, tranquilos, agir rapidamente, fazer os ajustes necessários. É preciso ter muita flexibilidade entre as lideranças. Eu tenho experiência com crise. Vi o mercado brasileiro cair 35% em 1998, 2000. Também enfrentei crises na Indonésia, Tailândia e em outros países.

Qual a diferença dessas crises com a dos EUA?

Aqui é muito mais difícil por causa dos nossos custos fixos. Além disso, por nove anos consecutivos, o mercado americano ficou entre 16 e 17 milhões de veículos. Em 2007 foram 16,5 milhões e em 2008, 13,5 milhões. É uma queda enorme em muito pouco tempo.

Qual a previsão para 2009?

Trabalhamos com números que variam de 10,5 milhões a 12 milhões de veículos. Em 1982, quando o mercado era de 10 a 11 milhões de unidades, a população consumidora era de 200 milhões de pessoas. Agora, são 300 milhões. Ou seja, as vendas per capita estão baixas. Com o plano que estamos prevendo, esperamos que em 2012 a situação esteja melhor.

Como o senhor avalia o mercado brasileiro, que também teve forte queda de vendas?

Isso mostra que a economia global é global mesmo. E isso não ocorreu só no Brasil.