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#145;A crise vai trazer de volta a inovação#146;

O iraniano Amir Kassaei, que comanda a área de criação da rede de agências DDB na Alemanha, tem um currículo de fazer inveja a qualquer publicitário: são mais de 1.200 prêmios acumulados, entre eles vários Leões no Festival de Cannes.

Agência Estado |

Foi eleito este ano, pelo Big Won Report - uma espécie de ranking da publicidade global -, um dos três melhores diretores de criação do mundo. E é considerado, embora não toque no assunto, um dos principais candidatos ao cargo de diretor criativo mundial do grupo - posto que foi anteriormente ocupado pelo hoje presidente da DDB, Bob Scarpelli. Apesar de todo o sucesso, enfrenta agora o desafio de convencer clientes, com cada vez menos recursos para investir em propaganda, da importância da criatividade. "A crise é também uma grande oportunidade para nós, criadores, porque ela anunciará o fim do pensamento e da gestão dirigidos para o mercado." Entre as tarefas de Kassaei na DDB Alemanha está o treinamento de jovens talentos para o grupo. Uma dupla de brasileiros, Ricardo Wolff e Gabriel Mattar, está entre os profissionais que estão sendo treinados pelo iraniano. Nas palavras dos brasileiros, Kassaei é um profissional direto no trato e de poucas palavras. Mas sempre disposto a estimular a criatividade dos seus comandados. Kassaei deu a seguinte entrevista, por e-mail, ao Estado:

O mundo enfrenta hoje uma crise global de proporções nunca vistas. Como o setor de propaganda, em geral, e sua rede de agências, em particular, enfrenta o momento?

Acho que o principal em tempos de crise é ter a certeza de que os que tiverem coragem e vontade para se aferrar à sua estratégia e seu foco em qualidade e essência, e não no ativismo de curto prazo, serão bem-sucedidos. A crise também é uma grande oportunidade para nós, criadores, porque ela anunciará o fim do pensamento e da gestão dirigidos para o mercado. No futuro, longevidade, inovação e qualidade contarão novamente.

Para onde caminha o negócio da publicidade ? Não está tudo muito igual, repetitivo e pulverizado? Como chamar a atenção em meio a tanta oferta ?

Atualmente, somente a informação relevante funciona, e somente marcas e companhias que dão orientação serão bem-sucedidas. Isso porque as pessoas não querem que lhes digam o que elas devem comprar. Querem decidir por si mesmas o que é bom e o que é ruim. O talento que caracteriza a publicidade criativa é, e será, ver os problemas de comunicação do cliente de um ângulo diferente e encontrar uma solução surpreendente.

Há diferenças na forma de fazer propaganda na Alemanha, Estados Unidos, Brasil ou Irã, sua terra natal?

Não. Nós estamos vivendo num mundo globalizado. Isso significa que tanto a comunicação como a modalidade de sua concepção estão sempre se adequando. A fórmula de trabalho que funciona tão bem no grupo DDB, a ponto de lhe dar um lugar de destaque na competitiva estrutura do mercado publicitário, se deve ao fato de a DDB sempre colocar em questão nossa situação no setor e tentar desbravar novos terrenos. O importante no estilo da DDB é que nós não temos um e somos basicamente solucionadores de problemas.

As influências de sua formação cultural ajudaram a construir sua carreira?

Foi menos a história cultural, e mais uma boa dose de altos e baixos na vida, além do fato de que pratiquei todo tipo de atividade na indústria de publicidade (de desenhista principal a final, gerente de conta, planejador de mídia, diretor de arte, copywriter, etc).

Qual a dificuldade em lidar com clientes globais ? Há uma queixa de que eles resistem a idéias inovadoras. O sr. concorda com essa queixa?

É difícil desenvolver uma campanha global de uma marca, porque, no fim, sempre haverá uma conciliação. Mas, ao gerir uma marca e sua comunicação de maneira séria e inovadora, você pode definir um arcabouço e permitir que os países e regiões elaborem suas próprias interpretações desse arcabouço. Estamos trabalhando maravilhosamente dessa maneira com a Volkswagen há 50 anos em mais de 40 países.

Uma das tarefas que o sr. desenvolve na DDB Alemanha é treinar jovens talentos para a agência. Qual a importância desse papel?

A idéia básica foi de que jovens talentos normalmente precisam batalhar nas atividades cotidianas da agência durante anos e não tiram um tempo prolongado para ganhar a experiência necessária para criar pessoalmente grandes campanhas. Portanto, criamos um programa que capacita jovens talentos a desenvolver experiência e competência colaborando diretamente comigo, trabalhando para o grupo todo e para todos os clientes de 1 a 11 anos. Depois, eles são capazes de trabalhar como uma equipe criativa madura em nossa agência.

Quais são as características que, na sua interpretação, são imprescindíveis para um profissional dar certo no negócio da propaganda?

Um criador admirável é um fabuloso estrategista, gerente de conta e um "pau para toda obra" criativo. Ele precisa pensar em si como um consultor criativo trazendo força de vontade, insistência e paixão para acreditar numa idéia na qual ninguém mais está acreditando e vender e/ou realizar essa idéia, a despeito de toda resistência.

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