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Sem acordo na atual etapa da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada durante nove dias em Genebra, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, o chanceler Celso Amorim adverte que a principal conseqüência negativa para o Brasil é o aumento dos subsídios agrícolas americanos nos próximos anos, já que ficarão sem novas regras. O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, alerta que o Brasil será um dos países que sairão perdendo com o fracasso da OMC.

Ele reconheceu que o colapso do processo será sentido por todos os países emergentes. "O Brasil também perde muito com o fracasso."

Cálculos apontavam o Brasil como um dos principais ganhadores com a abertura de mercados e a redução de subsídios que poderia resultar do acordo. Para Amorim, o principal problema do fracasso será a manutenção dos altos subsídios agrícolas dos Estados Unidos. Mas, segundo ele, não será o Brasil que mais sofrerá. "Teremos de abrir disputas legais contra esses subsídios", disse o ministro. O Congresso americano aprovou recentemente uma nova lei que manterá um volume bilionário de subsídios aos produtores. Sem um acordo, esse volume não terá limite e, pela lei, o aumento pode ocorrer sem ser questionado. Hoje, o volume está baixo diante dos preços altos das matérias-primas (commodities). Mas, se o mercado mudar, a distribuição de subsídios ao algodão, soja, leite, carne e milho podem explodir. Para o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, a nova lei é "a mais reacionária na história dos EUA".

Várias disputas podem ser levadas aos tribunais nos próximos anos, para tentar solucionar entraves no comércio. "O Brasil tem como pagar essas disputas e advogados caros. Mas outros países não têm essas condições. Esses vão de fato perder com o colapso da Rodada", disse Amorim. "São os pequenos países, principalmente os africanos, quem mais sofrerão com o colapso." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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