A oferta feita hoje pelos Estados Unidos para reduzir os subsídios agrícolas em US$ 2 bilhões, para o teto de US$ 15 bilhões por ano, não agradou ao Brasil, que esperava uma oferta mais ambiciosa. Espero que essa não seja a última oferta.

Ela mostra um nível muito baixo de ambição", criticou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, à agência Associated Press, acrescentando que a oferta não foi suficiente.

A proposta foi exposta pela representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, durante encontro em Genebra (Suíça), onde estão reunidos nesta semana ministros de cerca de 35 países para tentar destravar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A oferta também foi criticada pelo Instituto para Agricultura e Política Comercial (IATP, na sigla em inglês), que a considerou "absurda". "A oferta para reduzir os subsídios para US$ 15 bilhões é fraca. Com o predomínio dos preços elevados, os EUA não terão problemas para atingir a meta. Além disso, há tantas condições relacionadas à proposta que ela se torna vazia", disse o IATP em um comunicado. "Os EUA estão pedindo imunidade em relação a desafios legais na OMC e maior acesso a outros países para seus produtores e exportadores agrícolas. Isso é absurdo", disse o IATP.

Após o anúncio da oferta de corte, Susan Schwab destacou que ela depende de uma maior abertura para os produtos industriais dos EUA, um dos principais objetivos do país nas negociações, e de uma garantia de que os subsídios agrícolas norte-americanos não enfrentem mais nenhuma ação legal na OMC. "Essas reduções não são oferecidas isoladamente e devem ser acompanhadas de aberturas significativas nos mercados, tanto para produtos agrícolas como para produtos industriais", disse ela.

Atualmente os EUA têm permissão para distribuir mais de US$ 48 bilhões em subsídios agrícolas relacionados a preço, produção e outros itens. No ano passado, o país concordou em reduzir os subsídios para menos de US$ 16,4 bilhões, em um movimento que gerou críticas por parte de grupos agrícolas americanos. Países emergentes vêm pedindo que os EUA reduzam os subsídios para perto de US$ 12 bilhões, que ainda assim estaria muito acima do total de subsídios aplicados atualmente pelo governo americano, estimado em ao redor de US$ 9 bilhões por ano, como reflexo da recente alta dos preços das commodities.

A Rodada Doha, que pretende estabelecer um acordo mundial para liberalização do comércio, foi lançada em 2001 na capital do Catar, tendo como objetivo principal a promoção do desenvolvimento e a redução da pobreza, mas desde então as negociações estão travadas devido a impasses entre os países desenvolvidos e as nações em desenvolvimento.

União Européia, Estados Unidos e outros países desenvolvidos querem maior acesso ao setor industrial em países em desenvolvimento. Já os países emergentes querem reduções nas tarifas e subsídios agrícolas dos países ricos para que possam vender mais para esses mercados.

A reunião ministerial em Genebra convocada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, é uma tentativa de dar impulso às negociações em direção a um acordo final ainda este ano, antes da eleição presidencial nos Estados Unidos em novembro próximo e das eleições na Índia e substituição dos membros da Comissão Européia em 2009. As informações são da Dow Jones e agências internacionais.

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