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Amorim, Mandelson, Nath, Schwab: os quatro principais atores da Rodada de Doha

O brasileiro Celso Amorim, a americana Susan Schwab, o europeu Peter Mandelson e o indiano Kamal Nath são os protagonistas das negociações da próxima semana em Genebra, que tentarão resgatar os quase sete anos da Rodada de Doha de liberalização mundial do comércio.

AFP |

- CELSO AMORIM: o porta-bandeira dos países emergentes

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, é o principal articulador da estratégia do Brasil na OMC (Organização Mundial do Comérico) e uma figura chave nas negociações da Rodada de Doha.

Experiente diplomata de 66 anos, com ampla carreira no exterior, Amorim assumiu o cargo no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e empreendeu uma política externa orientada para a integração sul-americana e as relações Sul-Sul.

Assumiu com a Índia a liderança do chamado G20, grupo dos 20 países em desenvolvimento criado em 2003 e que colocou seus pedidos no mesmo nível da mesa de negociação com a Europa e os Estados Unidos.

Os analistas atribuem a Amorim o mérito de ter mentido a unidade do G20 e ainda de servir de ponte com Bruxelas e Washington, capitais com as quais mantém um tratamento direto e constante, apesar de ser um duro negociador que reivindica o fim dos subsídios agrícolas nos países ricos.

Amorim vem apostando todas as fichas na negociação da OMC, deixando de lado outros possíveis acordos bilaterais menos ambiciosos, o que tem lhe valido elogios, mas também críticas de industriais e agricultores em seu país.

Seus colaboradores o definem como um trabalhador incansável, capaz de repassar muitas vezes até o último detalhe uma mesma negociação.

Amorim já foi chanceler (1993-1994), embaixador em Londres (2001-2002) e representante do Brasil na OMC e na ONU em Genebra (1999-2001) e na ONU em Nova York (1995-99).

Cinéfilo apaixonado, em sua juventude foi assistente de direção e posteriormente dirigiu a agência nacional de cinema Embrafilme de 1979 a 1982, quando foi destituído pelo governo militar.

- SUSAN SCHWAB: a abertura dos mercados antes de tudo

Nomeada representante do Comércio dos EUA (USTR) em abril de 2006, Susan Schwab é a terceira responsável da administração americana que atua como negociadora na Rodada de Doha, depois de Robert Zoellick e Rob Portman.

Menos política que seus predecessores, Schwab passou pela prova de fogo em julho de 2006, em uma negociação em Genebra na qual rechaçou se comprometer a reduzir os subsídios agrícolas sem uma contrapartida para os exportadores americanos. Isto gerou problemas que provocaram a suspensão das negociações por seis meses.

Schwab, de 53 anos, aborda as negociações de um ponto de vista peculiar, a apenas alguns meses do fim da administração Bush. Não há garantias de que um eventual acordo seja ratificado por Washington antes da posse do novo presidente americano.

Nascida no seio de uma família de diplomatas, chegou ao USTR em 1977 como negociadora para os produtos agrícolas. É diplomada em economia e autora de um livro sobre a política comercial dos EUA que foi publicado em 1994.

PETER MANDELSON: um "príncipe das trevas" sob a lupa

Nomeado comissário europeu do Comércio em 2004, o britânico Peter Mandelson é o segundo negociador europeu da Rodada de Doha depois de Pascal Lamy, convertido depois em diretor geral da OMC.

Ao contrário de seu predecessor, Mandelson, de 54 anos, é visto antes de tudo como um político e um professor na arte da comunicação.

Próximo ao trabalhista Tony Blair, teve uma carreira política turbulenta na Grã-Bretanha, marcada por duas demissões governistas, o que lhe valeu o apelido de "príncipe das trevas" na imprensa britânica.

Nas reuniões anteriores da OMC, em Hong Kong em 2005 e e Genebra em 2006, Mandelson foi criticado por vários países na UE, principalmente pela França, por ter feito muitas concessões no âmbito da agricultura sem obter muitas compensações em produtos industriais e serviços.

Muito criticado nas últimas semanas pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, Mandelson estará presente em Genebra sob a supervisão da presidência francesa da UE.

KAMAL NATH: o defensor dos agricultores indianos

O ministro indiano do Comércio e Indústria é, aos 61 anos, um dos pilares do Partido do Congresso, no poder em Nova Délhi. Sua chegada a Genebra pode ser atrasada pelo voto de confiança que ameaça na próxima terça-feira a sobrevivência do governo indiano.

Nas negociações de Doha, Nath, se tornou o líder dos camponeses pobres ameaçados pela abertura das fronteiras. Cheio de dívidas, milhares deles se suicidam a cada ano na Índia, lembra com freqüência o ministro.

Nath refuta as exigências da abertura dos mercados feitas pelos países industrializados. Com seu alter ego Celso Amorim, Nath mostrou sua determinação ano passado em Potsdam negando-se a se reunir com Schwab e Mandelson.

Sua ameaça favorita é lembrar a seus companheiros de negociações que tem um avião lhe esperando.

bur/bar/lm

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