O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que uma solução para a Rodada de Doha de negociações comerciais globais ainda é possível este mês. Segundo ele, entretanto, para que haja um final feliz será necessário um grande esforço conjunto na Organização Mundial de Comércio (OMC).


"Acho que não é impossível, em um esforço muito grande, que possamos chegar a uma conclusão", disse ele a jornalistas em um evento do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.

"Temos três ou quatro semanas para isso. É um esforço que vale a pena fazer porque, do contrário, serão dois ou três anos, no mínimo, para resolver a questão", completou Amorim.

O ministro lembrou ainda que, se o acordo não for fechado em breve, haverá uma "tentação" muito grande por parte do novo presidente dos Estados Unidos de incluir novos temas no debate internacional. A Casa Branca terá um novo ocupante em 2009.

Ele reiterou que o grande impasse nas negociações para o sucesso da Rodada de Doha é a concessão de subsídios agrícolas por parte dos países ricos.

"A única solução possível para os subsídios agrícolas é a OMC, é a Rodada Doha, não há substituto para isso", afirmou ele. "Houve dificuldade em um tema que não era visto entre os centrais, que eram as salvaguardas agrícolas."

As negociações da Rodada de Doha fracassaram em julho, depois de os Estados Unidos e a Índia não chegarem a um acordo sobre a criação de salvaguardas especiais para os produtores rurais de alguns países em desenvolvimento.

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