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Amorim diz que o governo não tem nada a flexibilizar

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rechaçou a avaliação de que o Brasil estaria vendendo sua posição nas negociações agrícolas da Rodada Doha em troca de acesso aos mercados americano e europeu para o etanol. Ele disse que a questão do etanol ainda não foi discutida no âmbito da Rodada Doha e acrescentou que o governo brasileiro não tem mais nada a flexibilizar.

Agência Estado |

"Não há o que o Brasil possa flexibilizar, isso é uma visão incorreta. O que o Brasil pode fazer neste momento é ajudar a encontrar uma solução", disse o ministro, em Nova York. "O problema que ocorreu (nas negociações da Rodada) foi entre certos países. De um lado, entre eles a Índia, que talvez seja o mais militante deles, e também a China, e os Estados Unidos do outro." A discórdia que travou as negociações, explicou o chanceler, refere-se à demanda da Índia e de outros países em desenvolvimento por uma maior amplitude das salvaguardas especiais para seus produtos cultivados por pequenos agricultores. Esse foi um ponto sobre o qual o G-20, que reúne as economias em desenvolvimento exportadoras e importadoras de alimentos, nunca chegou a um entendimento.

Em julho passado, durante a reunião dos ministros de Comércio dos países mais influentes da Organização Mundial do Comércio (OMC), a Índia e a China insistiram nessa exigência. Os Estados Unidos mostraram-se irredutíveis. O resultado foi o fracasso da tentativa de se chegar a um acordo básico.

Apesar da nova rusga com a Índia, país com o qual o Brasil divide a liderança do G-20, Amorim mostrou-se otimista ontem em relação à conclusão da Rodada. "Não é o Brasil que tem de flexibilizar (para que a Rodada possa ser concluída)", observou Amorim. "O que o Brasil tinha de flexibilizar já flexibilizou. Havia uma demanda em relação a produtos industriais, e o Brasil negociou, dentro do que era possível e aceitável para a indústria brasileira."

Antes de almoçar ontem com representantes do Bric - foro que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia e a China -, Amorim assegurou que não iria tratar desse assunto com o interlocutor indiano. Fontes do Itamaraty informaram que, até ontem, a missão do Brasil em Genebra não havia obtido uma cópia da carta enviada por Kamal Nath à OMC, mas conhecia alguns de seus trechos. Entre eles, o que fazia a menção indireta ao etanol.

Esse parágrafo referia-se a um ponto que ainda não foi objeto da negociação da Rodada e que poderá tornar-se um tema tão polêmico quanto as salvaguardas especiais para os produtos agrícolas dos países em desenvolvimento. Trata-se da demanda dos países desenvolvidos - sobretudo, da União Européia, da Suíça, da Noruega e do Japão - de inclusão de novos itens na lista de produtos agrícolas sensíveis. Esses itens seriam protegidos por tarifas elevadas, mas haveria uma brecha de acesso a mercado dada por uma cota. Entre esses novos produtos está o etanol, que a União Européia pretende manter sob proteção.

Um negociador brasileiro estranhou que Nath pudesse acusar o Brasil de flexibilizar sua posição geral na Rodada em troca da não inclusão do etanol nessa lista ou de uma cota mais ampla para o combustível. Ele assegurou que o G20 mantém-se coeso na sua posição contrária a essa demanda. Não há, portanto, divergência entre a Índia e o Brasil sobre esse ponto. Entretanto, o Itamaraty está ciente que, uma vez ultrapassado o atual impasse sobre as salvaguardas, as novas cotas poderão travar a negociação e impedir a conclusão da Rodada - hipótese que o governo brasileiro espera ver afastada.

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