O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avaliou a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, como um encontro inédito. Segundo Amorim, os dois líderes manifestaram grande entendimento do ponto de vista político.


"Há um desejo tanto da Cristina como do presidente Lula para que haja mais investimentos brasileiros na Argentina e também investimentos argentinos no Brasil. Tudo isso foi reiterado sem nenhuma preocupação de invasão brasileira [no mercado argentino]. As empresas brasileiras são bem vindas e vice-versa", afirmou o ministro.

Amorim disse que, além da cooperação econômica entre os dois países, os líderes sul-americanos discutiram ainda projetos já em andamento, como a construção da Usina Hidrelétrica de Garabi, no Rio Uruguai, e a possibilidade de aceleração no cumprimento dos prazos.

Temas com previsão de desdobramentos posteriores, como a TV digital, também foram discutidos, segundo o chanceler.

Ele confirmou ainda um rápido encontro trilateral - de cerca de 40 minutos - com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que chegou na segunda-feira à Buenos Aires e que deve ficar na cidade por pelo menos mais um dia. O encontro foi rápido devido à agenda de Lula, que partiu em direção ao Brasil por volta das 18h.

O encontro trilateral, segundo Amorim, teve como temas as áreas de energia e fertilizantes. "É uma preocupação de todos os governantes da região a questão dos preços dos alimentos, e uma coisa essencial nesse âmbito é o fertilizante. Há uma preocupação muito forte do presidente Lula, compartilhada pelos outros presidentes, de que na América do Sul haja um foco especial nos fertilizantes, tema que, no Brasil, é deficitário", afirmou Amorim.

Apesar de confirmar que o encontro trilateral não estava previsto oficialmente, o chanceler lembrou que os três líderes sul-americanos durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em San Miguel de Tucumán, já haviam manifestado interesse em discutir conjuntamente alguns temas.

"Eles falaram sobre a cooperação em energia. O presidente Chávez chegou a levantar a possibilidade do gasoduto, uma coisa que terá que ser examinada, e falou da cooperação que já está havendo sobre gás natural liquefeito", lembrou.

Novo encontro

O chanceler lembrou que Lula já havia convidado Cristina Kirchner para participar das cerimônias festivas do dia 7 de setembro no Brasil e também para a inauguração de uma fábrica argentina de energia eólica no estado de Pernambuco. Com a chegada de Chávez à Argentina, o convite brasileiro foi estendido também ao líder venezuelano.

Em entrevista coletiva, Chávez confirmou o convite. "Lula, Cristina e eu acertamos outra reunião para 6 de setembro, em Pernambuco", disse Chávez", que defendeu o aprofundamento do eixo Caracas-Brasília-Buenos Aires e revelou que acertou com Lula e Kirchner "dar conteúdo" a essa união com projetos concretos na área de energia", que serão analisados no encontro em Pernambuco.

Ao comentar a reunião em Buenos Aires, Chávez disse que "propôs retomar a idéia do Gasoduto do Sul, antiga idéia do líder venezuelano que prevê aproveitar a riqueza de gás da América do Sul com um ducto capaz de distribuir na região até 150 milhões de metros cúbicos diários. O gasoduto teria 8 mil quilômetros, a um custo estimado de 23 bilhões de dólares.

Chávez também propôs a Lula e Cristina Kirchner a criação de uma linha ferroviária, atravessando a América do Sul, sobre a qual não deu detalhes.

Transportes

A embaixadora da Argentina em Caracas, Alicia Castro, afirmou que a reunião entre os três líderes incluiu conversas sobre transportes, assunto que ganha destaque com a nacionalização da Aerolíneas Argentinas.

"A possibilidade de a Aerolíneas Argentinas ficar nas mãos do Estado daria a possibilidade de fazer uma aliança com a linha aérea estatal venezuelana (Conviasa) e com uma empresa área designada pelo Brasil", comentou Castro.

Com informações da EFE, da AFP da Agência Brasil e da Agência Estado

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