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O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, nesta sexta-feira, que um fracasso definitivo da Rodada de Doha multiplicará as disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC). Amorim disse que ainda guarda esperanças de uma possível conclusão das negociações.

O ministro explicou, em entrevista coletiva, que nos últimos contatos entre líderes mundiais e negociadores foi estimulada a possibilidade de que ocorresse uma reunião em setembro ou outubro para tentar evitar o fim da Rodada de Doha, após o fracasso do último encontro, em Genebra.

Se isso não acontecer, reiterou que as negociações sobre uma nova decisão na OMC ficarão paralisadas "durante dois ou três anos", um período para o qual prevê que as disputas comerciais aumentarão.

Ele citou como exemplo o fato de o Brasil ter pedido "há um mês" à OMC que fosse retomado um processo de arbitragem contra os Estados Unidos, pelos subsídios que esse país outorga à produção de algodão.

A organização já determinou que os EUA descumpriram sua obrigação de eliminar os subsídios, mas ficou pendente a fixação do valor das sanções comerciais que poderão ser aplicadas, as quais, segundo afirmações de alguns setores, poderiam chegar a US$ 1 bilhão.

Segundo Amorim, o fato de o Brasil ter decidido reativar o processo "não quer dizer que não se tenha preferência por uma solução negociada", a qual vinculou diretamente à possível volta à mesa de negociações da Rodada de Doha.

"Se nestas tentativas para retomar (a Rodada de Doha) houver uma solução para o algodão, naturalmente isso seria levado em conta", disse o chanceler. "Se não avançarmos na OMC, certamente não haverá outro caminho" além dos processos comerciais, acrescentou.

Sobre esse possível reatamento das negociações, disse estar convencido de que resta uma "pequena brecha de oportunidades" que só poderá ser aproveitada se existir a "vontade política necessária".

Ele insistiu, no entanto, em que entre os negociadores existe "uma insatisfação geral" e "desejos de discutir" para achar uma saída a uma situação que poderia afetar a credibilidade da própria OMC.

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