O ministro das Relações Exteriores, o chanceler Celso Amorim, fez o que deve ter sido um dos mais duros ataques públicos de uma autoridade estrangeira contra o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, desde que o democrata venceu as eleições presidenciais norte-americanas e corre o risco de ser até considerado um incidente diplomático antes mesmo de Obama tomar posse. Ontem, Amorim disse que Obama não estaria assumindo suas responsabilidades como líder e que a falta de um sinal de flexibilidade por parte do presidente eleito na área comercial é o que estaria levando ao fracasso um acordo na Rodada Doha de comércio multilateral, da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para Amorim, se não houver um entendimento agora, dificilmente o processo conseguiria ser relançado no futuro. Em Genebra, já é quase unanimidade de que a Rodada Doha chegou a seu ponto final diante do verdadeiro caos entre os governos.

Amorim preferiu culpar Obama, a intransigência do governo de George W. Bush e a pouca coordenação na transição. "Ninguém pode se esconder de suas responsabilidades. Líderes precisam mostrar que são líderes e não podem se esconder", atacou o chanceler, após reuniões ontem em Genebra. No dia de sua eleição, Amorim comemorou e afirmou que esperava construir uma relação de "parceria" entre Brasil e EUA.

Os norte-americanos estão sendo intransigentes nas negociações da OMC e todos apostam que hoje será anunciado o colapso do processo, depois de sete anos de reuniões e conferências. Washington quer a abertura dos mercados dos países emergentes para aceitar um acordo comercial. Mas o Brasil, Índia e China se recusam a zerar suas tarifas de importação para setores industriais considerados como estratégicos nos EUA. O ministro brasileiro fez questão de reiterar sua oposição às demandas norte-americanas ontem, em reuniões na OMC. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.