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Amorim: contra protecionismo, País pode ajudar vizinhos

O governo brasileiro quer revidar a ameaça protecionista da vizinhança sul-americana, em especial da Argentina, com a injeção de recursos oficiais em empresas desses países que exportam para o Brasil. Novo instrumento da política de generosidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva para a América do Sul, o mecanismo abrirá uma alternativa para essas companhias quitarem dívidas e financiarem seus embarques em um cenário de escassez de linhas de crédito domésticas e internacionais.

Agência Estado |

Defendida pelo Itamaraty, a medida está em estudos pela equipe econômica e foi o principal alvo da conversa de ontem entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o chanceler do Uruguai, Gonzalo Fernández.

"É perfeitamente possível que o Brasil ajude os seus vizinhos a enfrentar este momento de crise através de garantias financeiras que as reservas brasileiras podem oferecer, sem prejuízo dessas reservas", defendeu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao final de um encontro de trabalho com Fernández.

Em elaboração pelo Ministério da Fazenda, o mecanismo reproduz o acordo de troca de moedas firmado entre o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e o Banco Central do Brasil, em outubro do ano passado. Essa operação teve o objetivo de dotar o mercado brasileiro de maior volume de dólares em um momento de forte escassez da moeda americana. Envolveu US$ 30 bilhões, que foram colocados à disposição do governo brasileiro sob o compromisso de pagamento em reais.

A versão brasileira prevê o desembolso de recursos das reservas brasileiras, em reais, para os países vizinhos, que ressarciriam os valores também na moeda nacional. Não está definido ainda de onde sairão os recursos. Mas os reais seriam injetados em empresas que apresentam dificuldades para renegociar suas dívidas ou para financiar os importadores brasileiros de seus produtos. A rigor, esse mecanismo acabará trazendo parte desses reais para as próprias companhias brasileiras - especialmente para as que prescindem de insumos fabricados na Argentina ou em outros países mais integrados à produção do Brasil.

A intenção brasileira de valer-se da generosidade como arma contra o protecionismo foi expressa a apenas cinco dias de um embate entre ministros brasileiros e argentinos, em Brasília, sobre as medidas de restrição ao ingresso de produtos brasileiros adotadas por Buenos Aires. Segundo Amorim, o Brasil vai reclamar dessas iniciativas, mas também deve apresentar um leque de medidas nas áreas de financiamento e de facilitação do comércio como alternativa para ampliar o intercâmbio e aprofundar a integração e para demover Buenos Aires a seguir na rota da proteção comercial. "A maneira de vencer a crise é atuando de maneira contracíclica e não pró-cíclica", afirmou Amorim.

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