O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje que, se o Equador não honrar o empréstimo que tem junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a relação comercial entre Brasil e Equador vai acabar. Então, vai acabar o comércio entre Brasil e Equador porque o empréstimo é lastreado no CCR (Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos).

Eu não entendo como deixar de pagar porque tem a garantia do CCR, que é uma garantia comercial", disse o ministro, acrescentando que, se houve uma irregularidade, ela não foi praticada pelo BNDES.

Antes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegar ao hotel Taj Mahal, em Nova Délhi, na Índia, Amorim concedeu uma entrevista coletiva à imprensa na qual afirmou que é preciso ter paciência, mas não complacência. "O que é que você quer que eu faça? Que eu invada o Equador? Temos de ter paciência, temos interesse em manter boas relações com o Equador. Agora, a paciência também num determinado momento, não estou dizendo que a gente perde a paciência, mas a gente não pode confundir paciência com complacência", disse.

Amorim ponderou que, "quando o clima não favorece, melhor não falar". E acrescentou: "Quanto mais vocês perguntam, mais dificultam as negociações, porque a tentação da retórica é muito grande. Então, um diz uma coisa, o outro quer responder mais alto e tem muita gente dando palpite. Tem muito ministro de lá dando palpite", disse.

Com relação a Furnas, Amorim disse que a "questão foge da realidade". E sobre os engenheiros da Odebrecht que foram expulsos do país pelo presidente Rafael Correa, Amorim disse: "A mim interessava que eles fossem liberados. Se ele (Correa) está querendo chamar os liberados de expulsos, um deles já foi liberado e voltou ao Brasil. O outro saiu da embaixada e também está liberado".

Ontem, o secretário Nacional Anticorrupção do Equador, Alfredo Vera, voltou a dizer que o governo equatoriano não vai pagar um empréstimo concedido pelo BNDES para a companhia Norberto Odebrecht construir uma usina hidrelétrica no país.

Lula e Correa

O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, disse nesta tarde que a melhor solução para os problemas enfrentados por empresas brasileiras no Equador é um entendimento direto entre os presidentes Lula e Rafael Correa. "Tem muito ministro falando, e quando tem muita gente falando, dá cacofonia", afirmou. Ele disse que a decisão do governo brasileiro de suspender o envio de uma missão ao Equador para negociar cooperação em obras viárias não representa uma retaliação.

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