BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira após reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que um maior aprofundamento da integração regional é a resposta para minimizar os impactos da crise financeira mundial nos países do Cone Sul.

Todos concordam que a crise é grave e todos são a favor de que ela termine. A integração é o melhor remédio para combatê-la e é ela [a integração] que nos ajudará a mitigar o problema da crise, disse Amorim.

Durante a reunião extraordinária, representantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e dos países associados - Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Chile ¿ avaliaram que os países da região se encontram em melhores condições do que no passado para enfrentar os desafios impostos pela crise financeira e seus efeitos no setor real da economia. Eles coincidiram ainda na conveniência de realizar um monitoramento dos possíveis impactos da crise tanto nos mercados financeiros locais como nos níveis de produção e emprego.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, Jorge Taiana, existe a necessidade de se criar uma comissão de monitoramento de comércio e de valorizar o processo de integração dentro do bloco como defesa da crise e resposta a crise.

Reforma profunda

Os representantes do Mercado Comum salientaram durante a reunião a necessidade de uma reforma profunda e abrangente da arquitetura financeira internacional e de estabelecer, no âmbito global, instrumentos que permitam respostas concretas, imediatas e mais adequadas à crise. Indicaram, igualmente, a importância de se aperfeiçoar a regulamentação prudencial" dos mercados de capitais.

Acreditamos que é importante que o sistema financeiro internacional esteja capacitado a aumentar a supervisão e diminuir os problemas que ocorreram com a crise", disse o chanceler Celso Amorim.

Canais de comunicação

Os ministros das Relações Exteriores, os ministros da Fazenda e os presidentes dos Bancos Centrais dos Estados Partes do Mercosul ressaltaram ainda, durante a reunião, a importância de que os governos da região mantenham canais fluidos e ágeis de comunicação sobre as medidas tomadas por cada país para enfrentar o momento atual, e determinaram que seus altos funcionários mantenham um intercâmbio de informações sobre os desdobramentos da crise financeira na região.

Protecionismo

Questionado sobre se a crise financeira internacional poderia provocar uma onda protecionista no Mercosul, Amorim afirmou que o protecionismo não é um problema da crise, mas que os países devem estar vigilante.

No início do mês, o governo argentino anunciou medidas protecionistas contra produtos importados para resguardar a indústria local durante a crise. Embora a Argentina informe que as medidas são contra os produtos asiáticos que chegam ao país com preços subfaturados, há a preocupação de que estas medidas atrasem os embarques de produtos brasileiros pois as licenças de importações para vários produtos não serão mais automáticas.

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