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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, declarou-se extremamente desolado pelo fracasso das negociações comerciais da Rodada Doha, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. A negociação estava por um fio, disse o chanceler à agência de notícias Associated Press (AP), e o fio não agüentou.

Segundo Amorim, "para qualquer observador externo, alguém vindo de outro planeta, deve ser difícil entender como, depois de tantos progressos feitos, nós não tenhamos conseguido concluir um acordo".

Mais cedo, fontes haviam informado à AP que a negociação fracassou depois que uma reunião a portas fechadas entre sete potências comerciais, entre elas o Brasil, terminou sem acordo por causa do impasse entre EUA, China e Índia com relação às regras de importação agrícola.

De acordo com as fontes citadas pela AP, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, comunicaria aos participantes que não houve acordo. A agência de notícias chinesa Xinhua disse que Lamy já confirmou aos ministros que "simplesmente não foi possível aproximar as posições" dos negociadores. De acordo com a Xinhua, Lamy falou em entrevista coletiva à imprensa após a reunião com os 35 ministros convidados para o encontro em Genebra.

"Foi um sério retrocesso para a Rodada Doha", disse Lamy. Ele afirmou, segundo a Xinhua, que as principais diferenças estavam no mecanismo de salvaguardas especiais para produtos agrícolas de países em desenvolvimento e os subsídios para o algodão dos EUA. "Temas como algodão nem chegaram a ser negociados", disse.

Sobre o destino da rodada, Lamy disse que precisará consultar os membros da OMC para decidir sobre os próximos passos. Ele afirmou que os membros da OMC precisam "ter um olhar sóbrio sobre como juntar as peças". "Vamos deixar a poeira assentar", acrescentou Lamy.